Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Economia

Empresas alemãs alertam para impactos da vitória da AfD na Saxônia-Anhalt

Entidades temem perda de profissionais estrangeiros, menor investimento e efeitos sobre a transição energética no estado alemão.

Empresas alemãs alertam para impactos da vitória da AfD na Saxônia-Anhalt
Foto: DW/Deutsche Welle

A vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia-Anhalt provocou alertas de associações empresariais e economistas sobre os possíveis efeitos de um governo estadual liderado pelo partido. Na região, a AfD é classificada pelas autoridades locais de vigilância da Constituição como comprovadamente extremista de direita.

As entidades afirmam que políticas de restrição à imigração podem afastar profissionais estrangeiros e agravar a falta de mão de obra qualificada. Também demonstram preocupação com investimentos, competitividade, energia e com a permanência de empresas no estado.

A associação comercial HDE destacou que a economia alemã depende do mercado interno da União Europeia (UE) e da livre circulação de pessoas. Para o presidente da entidade, Alexander von Preen, uma política de isolamento e exclusão não resolveria os problemas econômicos do país. A Associação Econômica da Baviera (VBW) também classificou o resultado como um alerta e defendeu a redução dos custos do trabalho e da energia, além da burocracia.

O candidato da AfD ao governo estadual, Ulrich Siegmund, minimizou os temores de queda nos investimentos. Após a vitória eleitoral, em 07/09, ele afirmou que há negociações e ofertas em andamento com empresários interessados na região.

Falta de trabalhadores

A HDE e a associação dos fabricantes de máquinas industriais (VDMA) apontaram a escassez de profissionais qualificados como uma das principais preocupações. O varejo, segundo Von Preen, depende da imigração para preencher seus postos. Ele avaliou que profissionais estrangeiros podem passar a evitar a Alemanha por receio de se mudar para o país.

A VDMA informou que a Saxônia-Anhalt tem a estrutura populacional mais envelhecida da Alemanha. Dentro de nove anos, haverá cerca de 12% menos pessoas economicamente ativas disponíveis para o mercado de trabalho, de acordo com a entidade. A associação também afirmou que vagas abertas por aposentadorias já não são preenchidas ou são ocupadas com atraso, inclusive em setores que dependem de trabalhadores estrangeiros.

O economista Wido Geis-Thöne, do instituto IW, disse que a própria Saxônia-Anhalt seria a principal prejudicada por uma política hostil à migração, pois perderia atratividade para profissionais qualificados de outros países. Marcel Fratzscher, presidente do instituto DIW, avaliou que um governo estadual controverso ou fraco, combinado com a polarização eleitoral, pode acelerar a saída de pessoas e empresas e piorar a situação econômica local.

Michael Berlemann, diretor do instituto HWWI, citou possíveis efeitos sobre saúde e assistência, gastronomia e turismo, indústria alimentícia, agricultura, construção civil e logística. Para ele, a política antimigratória anunciada pela AfD ampliaria a falta de trabalhadores e a defasagem econômica do estado.

Energia e resposta do governo federal

A presidente da associação das energias renováveis, Ursula Heinen-Esser, afirmou que a participação da AfD no governo estadual ameaçaria seriamente a transição energética. O partido defende bloquear a expansão da energia eólica, retomar a energia nuclear e manter a geração a partir do carvão.

Economistas ressaltaram, porém, que a participação elevada das fontes renováveis é um fator de atração para investidores. Mais de 60% da eletricidade gerada na Saxônia-Anhalt provém dessas fontes. Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o percentual ultrapassa 80%, enquanto a média nacional é de 53,3%.

Joachim Bühler, diretor-geral da associação TÜV, afirmou que o resultado eleitoral não muda a importância de políticas ambientais e climáticas, da transição para novos sistemas de propulsão, das energias renováveis e das tecnologias digitais para o futuro da Alemanha e da Saxônia-Anhalt.

A VDMA classificou o resultado como alarmante e pediu ação do governo federal, formado pela União Democrata-Cristã (CDU), pela União Social-Cristã (CSU) e pelo Partido Social-Democrata (SPD). A entidade defendeu a implementação das reformas planejadas e a prioridade para a competitividade alemã.

Fratzscher considerou a eleição um voto de desconfiança no governo federal e defendeu mudanças em subsídios, burocracia, impostos, seguridade social e política europeia. Tanja Gönner, diretora-executiva da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), pediu mais determinação nas reformas, com foco em investimentos, inovação e crescimento. Para ela, a resposta ao resultado não deve ser a paralisação política no nível federal.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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