A Cidade Antiga de Lijiang, no sudoeste da China, conserva um sistema de canais abastecido por águas de montanhas nevadas. A rede atravessa ruas antigas e áreas residenciais, integrando o abastecimento à rotina urbana há vários séculos.
Localizada a 2.400 metros de altitude, Lijiang está em uma região de vales cercados por montanhas. A topografia orientou a organização da cidade, com construções antigas distribuídas ao longo das encostas e vielas adaptadas ao relevo. O formato aberto das áreas construídas também favoreceu a circulação dos moradores.
A água que alimenta os canais vem do derretimento das neves da Montanha Nevada do Dragão de Jade. Os rios formados a partir dessas águas convergem para o Lago do Dragão Negro, de onde o recurso é direcionado por três cursos principais. Eles se dividem progressivamente até formar pequenos regatos que passam diante das residências.
A gestão da água está ligada à cultura Naxi. Regras comunitárias definem horários e locais para o consumo doméstico, com a intenção de preservar a qualidade do recurso. O uso era organizado em poços escalonados para beber, lavar alimentos e higienizar utensílios domésticos. Essa prática de gestão comunitária é reconhecida pela UNESCO.
As casas de madeira foram construídas em integração com as margens dos canais. Beirais trabalhados, pontes de pedra e estruturas flexíveis compõem a paisagem das vielas e ajudam a adaptar as construções aos abalos sísmicos. Os canais de drenagem também foram incorporados aos pátios internos das moradias.
A continuidade do sistema depende da manutenção feita pela comunidade e por órgãos de preservação. A desobstrução das passagens evita o acúmulo de sedimentos e conserva a eficiência da rede. Mesmo com o aumento do fluxo turístico, as regras de uso da água continuam orientando os moradores mais antigos e mantêm os canais integrados ao cotidiano da cidade.



