Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Queda das mortes por fentanil nos EUA é associada à redução da oferta chinesa

Estudo de Keith Humphries aponta que medidas da China podem ter reduzido o fornecimento, mas a duração desse efeito ainda é incerta.

Queda das mortes por fentanil nos EUA é associada à redução da oferta chinesa
Foto: Getty Images/BBC News Brasil

As mortes por overdose de fentanil caíram nos Estados Unidos e no Canadá depois de mais de uma década de alta. Nos Estados Unidos, a redução começou em meados de 2023 e, no final de 2024, o número de mortes havia recuado em mais de um terço.

A queda ocorreu sem um avanço médico de grande escala ou a criação de uma iniciativa nacional de novos centros de reabilitação. Para Keith Humphries, professor da Universidade de Stanford, a explicação mais provável é uma alteração simultânea na oferta da droga nos dois países, possivelmente relacionada a medidas adotadas pela China contra fabricantes de substâncias usadas na produção do fentanil.

Como funciona a cadeia de produção

Os chamados precursores químicos são produzidos na China e enviados a grupos que fabricam fentanil na América do Norte. Nos Estados Unidos, essas substâncias chegam ao México, onde são processadas por grupos do crime organizado. Depois, a droga é transportada por terra pela fronteira sul americana.

No Canadá, os produtos químicos chegam diretamente ao país, que possui grupos próprios de fabricação ilícita. Como os dois mercados têm estruturas diferentes, Humphries avalia que uma causa específica do México ou do Canadá não explicaria uma queda nacional ocorrida ao mesmo tempo nos dois países.

O pesquisador afirma haver evidências de uma mudança repentina na oferta, mas ressalta que a ligação com a China é uma hipótese baseada em indícios indiretos. Entre os sinais citados estão o fechamento de sites e a assinatura de um acordo com os Estados Unidos em 2023 para aumentar a pressão sobre esse tipo de comércio.

Efeito ainda incerto

Humphries diz que não é possível saber se a redução da oferta será permanente. Até o momento, o número de mortes não voltou a subir, o que pode indicar que a mudança persiste. Ainda assim, a dependência da cadeia internacional de fornecimento deixa aberta a possibilidade de reversão.

Para o professor, o período atual pode ser aproveitado para ampliar o acesso ao tratamento. Quando o fentanil fica mais difícil de obter, mais caro e menos potente, o consumo pode se tornar menos gratificante, criando uma oportunidade para que pessoas em situação crítica busquem ajuda.

Ele também defende a manutenção do tratamento e do uso de medicamentos de emergência contra overdoses, medidas que, segundo ele, salvam vidas. A criação de sistemas de atendimento, porém, exige tempo e não pode transformar toda a situação em seis meses.

Limites das fronteiras e da repressão

O controle de fronteiras continua sendo necessário, mas, na avaliação de Humphries, o aumento de guardas ou de inspeções não produziria uma elevação proporcional nas apreensões. A aplicação da lei é importante, mas pode gerar efeitos colaterais quando envolve detenções em massa em bairros pobres.

A longo prazo, o pesquisador afirma que a oferta pode migrar para outros países em um cenário de comércio global e internet. Por isso, considera necessário reduzir a demanda em todos os países, além de manter relações diplomáticas capazes de influenciar os fornecedores de precursores.

Humphries trabalha com o tema há 35 anos e faz voluntariado no bairro Tenderloin, em São Francisco. Ele afirma sentir satisfação com a queda das mortes e vê a recuperação de pessoas dependentes como um sinal de que existem soluções eficazes.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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