A endoscopia digestiva alta não precisa ser feita anualmente por todas as pessoas. A indicação e a necessidade de repetir o procedimento dependem dos sintomas, do histórico clínico, dos resultados anteriores e de possíveis alterações que precisem de acompanhamento.
O exame permite observar o esôfago, o estômago e a primeira parte do intestino. Ele pode ajudar a investigar gastrite, úlceras, alterações relacionadas ao refluxo e causas de sintomas que persistem.
Quando o exame pode ser indicado
Dor frequente no estômago, azia ou refluxo que não melhoram, dificuldade ou dor para engolir, náuseas persistentes, vômitos recorrentes e desconforto digestivo frequente estão entre as situações que podem levar à investigação. A decisão deve considerar a origem e a duração dos sintomas, e não apenas a presença isolada de um deles.
Perda de peso sem motivo aparente, anemia, sangramentos e vômitos com sangue exigem avaliação médica. Esses sinais merecem atenção especialmente quando aparecem de forma inesperada ou junto com piora do quadro.
“Não existe uma regra que determine que todas as pessoas precisam fazer endoscopia anualmente”, explica Mateus Antunes Nogueira, cirurgião do aparelho digestivo da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. Segundo ele, há pacientes que fazem o exame para investigar um sintoma e não precisam repeti-lo por muitos anos, enquanto outros necessitam de acompanhamento mais próximo.
Repetição depende do resultado anterior
Quem teve uma endoscopia sem alterações importantes não precisa necessariamente incluir o procedimento em uma rotina anual. Novos exames podem ser indicados quando há alterações que precisam ser monitoradas, necessidade de acompanhar uma lesão ou surgimento de sintomas diferentes.
Um resultado antigo também não deve ser considerado suficiente diante de uma mudança no padrão dos desconfortos. O intervalo entre os exames deve levar em conta o motivo da solicitação anterior, o que foi encontrado e o estado atual do paciente.
A endoscopia exige preparo e, na maioria dos casos, sedação. Por isso, fazer o procedimento por conta própria, apenas para verificar se está tudo bem, não substitui a avaliação clínica. A prevenção envolve acompanhamento adequado e investigação no momento necessário.
Alimentação equilibrada, moderação, observação dos alimentos que desencadeiam sintomas e atenção a desconfortos frequentes podem contribuir para a saúde digestiva. A automedicação deve ser evitada, pois remédios para azia ou dor no estômago podem aliviar o problema temporariamente e mascarar sinais que precisam de investigação.



