As folhas da nêspera, espécie Eriobotrya japonica, são usadas tradicionalmente em infusões associadas à glicose, à digestão, à tosse e à irritação da garganta. Estudos experimentais identificaram compostos fenólicos, polifenóis e triterpenos com possíveis atividades antioxidante, anti-inflamatória e metabólica. As evidências clínicas em humanos, porém, ainda são insuficientes para tratar o chá como remédio.
Como preparar a infusão
As folhas devem ser lavadas em água corrente. Também é recomendável remover com cuidado a penugem da superfície e cortar as bordas mais ásperas, que podem causar irritação. Depois, elas podem ser fervidas por alguns minutos, deixadas em repouso e coadas antes do consumo.
A seleção das folhas é importante. Devem ser escolhidas unidades saudáveis, sem fungos, manchas extensas ou resíduos de substâncias aplicadas na planta. Folhas de árvores submetidas recentemente a pesticidas ou a outros tratamentos não devem ser usadas em bebidas caseiras quando não houver segurança conhecida sobre esse uso.
O que as pesquisas indicam
O possível efeito sobre a glicose é um dos temas mais estudados. Pesquisas com extratos da planta observaram alterações em marcadores metabólicos de animais, mas isso não demonstra que a infusão tenha o mesmo resultado em pessoas com diabetes. Além disso, a concentração dos compostos em um chá feito em casa pode ser muito diferente daquela utilizada nos estudos.
Entre as substâncias identificadas nas folhas estão o ácido ursólico, o ácido corosólico e flavonoides. Os resultados laboratoriais ajudam a explicar o interesse científico pela planta, mas não permitem afirmar que uma xícara da bebida previna doenças ou produza efeitos terapêuticos específicos.
O consumo para desconfortos digestivos faz parte da tradição popular em algumas regiões do México e de outros países. Não há, contudo, dose doméstica padronizada nem comprovação de que o chá trate doenças do fígado ou faça uma limpeza específica no organismo. O fígado e os rins já exercem as principais funções naturais de processamento e eliminação de substâncias.
A infusão também aparece em práticas tradicionais para tosse, congestão respiratória e irritação da garganta. Esse uso não substitui avaliação diante de falta de ar, febre persistente, dor intensa ou sintomas que não melhoram.
Cuidados no consumo
A infusão fria pode ser usada tradicionalmente em compressas sobre pequenas áreas da pele. Como a eficácia clínica dessa prática não está comprovada, aplicações em pele sensível, irritada ou lesionada devem ser evitadas sem orientação. Ardência ou vermelhidão são sinais para interromper o uso.
Aumentar a quantidade de folhas não torna o preparo necessariamente mais eficaz. Pelo contrário, pode deixar a concentração dos compostos imprevisível e favorecer desconfortos. Também é recomendável evitar excesso e uso prolongado. Pessoas que usam medicamentos regularmente, sobretudo para controle da glicose, precisam de cuidado adicional, pois a preparação pode interferir nos mesmos parâmetros.
O chá pode ser experimentado ocasionalmente com folhas bem selecionadas, limpas e preparadas sem concentração exagerada. Os resultados disponíveis ainda não sustentam promessas de tratamento para diabetes, problemas digestivos ou doenças respiratórias.



