RECIFE — O frevo é uma manifestação cultural marcada pelo som dos metais, pelos passos acelerados, pelas roupas coloridas e pela sombrinha que acompanha os dançarinos. Celebrado nacionalmente em 14 de setembro, o ritmo tem origem nas ruas de Pernambuco e está ligado principalmente aos carnavais de Recife e Olinda.
Sua formação ocorreu entre o final do século 19 e o começo do século 20, a partir da combinação de música, dança e movimentos populares presentes nos cortejos carnavalescos. As bandas que percorriam as ruas do Recife passaram a tocar em ritmo mais veloz, enquanto a movimentação dos foliões ajudava a criar uma nova maneira de dançar.
Do nome aos passos
A explicação mais conhecida para o nome frevo relaciona a palavra à pronúncia popular de “ferver”. A imagem remete às multidões em movimento durante o Carnaval, como se o chão estivesse fervendo. A primeira referência conhecida ao termo na imprensa pernambucana ocorreu no início do século 20. Por isso, o ritmo também tem outra data comemorativa: 9 de fevereiro.
A dança recebeu influência direta da capoeira. Capoeiristas seguiam à frente das bandas e utilizavam saltos, agachamentos, movimentos próximos ao chão e acrobacias. Esses gestos foram incorporados e transformados ao longo do tempo. Hoje, existem mais de uma centena de passos catalogados, embora também seja possível acompanhar o frevo com movimentos simples.
A sombrinha colorida, outro símbolo da manifestação, também se relaciona à presença dos capoeiristas nos antigos cortejos. O objeto passou por mudanças, ganhou novas cores e funções e acabou incorporado à coreografia, podendo auxiliar no equilíbrio durante alguns movimentos.
Reconhecimento cultural
O frevo não se limita a uma única forma. O frevo-canção acrescenta versos à música e se aproxima das canções carnavalescas. Já o frevo de bloco tem características mais líricas e melódicas e é tradicionalmente associado aos blocos carnavalescos.
Em 2007, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registrou a manifestação como Patrimônio Cultural do Brasil. Em 2012, a Unesco incluiu o frevo na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O reconhecimento abrange a música, a dança, os conhecimentos transmitidos entre gerações, os blocos, os músicos, os passistas e a comunidade envolvida.
Em Recife, o Paço do Frevo preserva e divulga essa história. Inaugurado em 2014, o espaço promove atividades ligadas à música e à dança. Neste ano, a programação especial pelo Dia Nacional do Frevo ocorre entre os dias 11 e 14 de setembro, com feira, oficina, dança e uma edição especial do Arrastão do Frevo.
Embora tenha sua expressão mais conhecida durante o Carnaval, o frevo também é mantido ao longo do ano por escolas, músicos, passistas, agremiações e projetos culturais. A continuidade dessas atividades ajuda a transmitir a manifestação às novas gerações.



