Especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) de São Paulo afirmam que até 45% do risco de demência é potencialmente modificável. A prevenção do declínio cognitivo pode envolver hábitos mantidos ao longo da vida, como alimentação balanceada, atividade física, descanso adequado, controle de diabetes e hipertensão e busca por novos aprendizados.
A idade avançada é o principal fator associado à demência, mas parte dos fatores relacionados ao desenvolvimento da doença pode ser alterada. Segundo o neurocirurgião José Oswaldo de Oliveira Júnior, do Iamspe, o controle de doenças crônicas e a realização de estímulos cognitivos podem ajudar a prevenir ou retardar o declínio cognitivo.
O especialista afirma que comportamentos como alimentação inadequada, sedentarismo e tabagismo podem influenciar o risco de forma acumulada e independente. A combinação de um número maior de hábitos saudáveis, acrescenta, pode ampliar a possibilidade de redução desse risco.
Fatores associados em diferentes fases
Os fatores relacionados à demência são distribuídos pelos especialistas em três períodos: início da vida, até os 17 anos; meia-idade, dos 18 aos 64 anos; e vida tardia, a partir dos 65 anos.
Na primeira fase, a baixa escolaridade aparece associada a um menor desenvolvimento da reserva cognitiva. Durante a meia-idade, hipertensão, diabetes e sedentarismo ganham relevância. A pressão alta pode causar danos aos vasos do cérebro, enquanto o diabetes está ligado a alterações metabólicas e vasculares. Já a falta de atividade física aumenta a probabilidade de problemas cardiovasculares e metabólicos, com possível impacto sobre a saúde cerebral.
Na vida tardia, isolamento social, poluição do ar e perda visual sem tratamento estão entre os fatores associados. O neurologista do Iamspe explica que o isolamento diminui os estímulos cognitivos e pode ocorrer junto com depressão e sedentarismo. A poluição do ar é relacionada a processos inflamatórios e alterações vasculares. A perda visual não tratada pode diminuir a estimulação sensorial e cognitiva e favorecer o isolamento.
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta a memória e outras funções cognitivas. Com a evolução do quadro, também pode comprometer a capacidade de realizar atividades cotidianas e provocar apatia, agitação, depressão, ansiedade, irritabilidade, delírios e alucinações.



