O ornitorrinco consegue procurar alimento debaixo d’água mesmo com os olhos, os ouvidos e as narinas fechados. A estratégia depende de sensores distribuídos pela pele do bico, capazes de detectar sinais elétricos fracos produzidos pelos músculos de animais em movimento.
O mamífero vive em cursos de água da Austrália e busca larvas de insetos e outros pequenos invertebrados no fundo, entre pedras e sedimentos. Como a luz pode ser escassa e a água, turva, a visão tem utilidade limitada durante o mergulho. O bico também reúne receptores que percebem toque, pressão e movimentos da água.
Uma combinação de sentidos
As contrações musculares de uma presa geram pequenos campos elétricos. Receptores no bico identificam variações muito fracas, enquanto outros registram o contato com objetos e as alterações provocadas pelo deslocamento da água. Dessa forma, uma larva pode ser localizada mesmo quando não está visível.
A caça ocorre em etapas: a presa se move, o bico detecta sinais e movimentos próximos, e o ornitorrinco ajusta sua posição para investigar o sedimento. Depois, recolhe o alimento e volta à superfície para respirar. O animal guarda a comida nas bolsas das bochechas e a processa mais tarde.
Os receptores estão distribuídos pela superfície do bico. Ao mover a cabeça de um lado para o outro, o ornitorrinco recebe padrões diferentes e consegue orientar a busca. A proximidade da presa torna os sinais mais úteis, mas o mecanismo não equivale a enxergar o ambiente como uma imagem.
Uma habilidade compartilhada
A eletrorecepção também aparece em tubarões e raias, embora a anatomia e o uso dessa capacidade variem. Entre os mamíferos, os monotremados, grupo ao qual pertence o ornitorrinco, são especialmente conhecidos por apresentar essa característica.
A habilidade não elimina a dependência de condições adequadas para viver. O ornitorrinco precisa respirar na superfície, encontrar alimento suficiente e contar com rios em boas condições. Poluição, mudanças nas margens e obstáculos podem afetar seu habitat.
A cena do animal vasculhando a água, portanto, mostra a integração de sinais elétricos, movimentos e contatos percebidos pelo bico. Em vez de formar uma imagem elétrica semelhante à visão humana, o sistema sensorial ajuda a localizar presas próximas durante o período em que o mamífero permanece submerso.



