Um estudo identificou que estímulos muito breves de pink noise, aplicados no momento exato das ondas lentas do cérebro durante o sono, podem aumentar também as ondas do líquido cefalorraquidiano. Esse líquido circula pela região cerebral e ajuda a remover resíduos produzidos pelas células nervosas.
O pink noise é semelhante ao som suave de uma chuva ou de uma cachoeira distante. No experimento, os pesquisadores observaram um aumento das ondas cerebrais lentas acompanhado por uma ampliação das ondas do líquido cefalorraquidiano.
O achado levanta a possibilidade de que esse mecanismo possa contribuir para um sono mais restaurador. A hipótese poderia ser investigada em pessoas que têm dificuldade para dormir ou acordam sem a sensação de descanso. Ainda assim, o estudo não permite afirmar que o efeito melhore a qualidade do sono.
Também permanece em aberto se o aumento do fluxo do líquido poderia, no futuro, ter relação com a remoção de proteínas como amiloide e tau, associadas a doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer. A pesquisa não avaliou memória, qualidade do sono nem redução do risco de doenças.
Som aplicado no momento certo
Os estímulos sonoros usados pelos pesquisadores duravam apenas 50 milissegundos e eram disparados de acordo com o ritmo das ondas lentas de cada participante. A estratégia buscava ampliar a força dessas ondas ao aplicar o som no pico do movimento cerebral.
Por isso, os resultados não indicam que deixar um áudio de pink noise tocando durante toda a noite produza o mesmo efeito. O estudo envolveu 14 adultos saudáveis e foi publicado na revista Science Translational Medicine.
Os pesquisadores ainda precisam verificar se o mecanismo gera benefícios perceptíveis, como um sono mais restaurador, e se pode ter alguma aplicação em doenças neurológicas.



