Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Treinamento preserva parte das características jovens do músculo, aponta estudo

Músculos de idosos fisicamente ativos apresentaram características moleculares mais próximas das observadas em pessoas jovens.

Treinamento preserva parte das características jovens do músculo, aponta estudo
Foto: Reprodução: mediaphotos/Getty Images Signature/Bons Fluidos

Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Aging indica que o treinamento físico pode preservar parte das características moleculares associadas a músculos mais jovens. Na análise de adultos jovens e idosos, os pesquisadores observaram que pessoas mais velhas fisicamente ativas tinham músculos molecularmente mais próximos dos indivíduos jovens do que dos idosos sedentários.

Cerca de metade das diferenças moleculares relacionadas à idade identificadas no estudo não estava presente nos idosos treinados. O resultado não significa que o exercício interrompa o envelhecimento ou faça o organismo retornar a uma condição equivalente aos 20 anos. A conclusão é que a idade cronológica não explica sozinha tudo o que acontece dentro das células.

O que muda no músculo com o passar dos anos

O envelhecimento muscular pode envolver perda de massa e força, mas alterações internas começam antes de serem percebidas visualmente. O metabolismo das células se modifica, a atividade de determinados genes muda e o uso de gorduras e carboidratos sofre alterações.

As mitocôndrias, estruturas responsáveis por grande parte da produção de energia celular, também passam por mudanças funcionais. Para investigar esse processo, os pesquisadores analisaram simultaneamente genes, metabólitos e lipídios presentes no músculo. A comparação entre jovens e idosos revelou alterações relacionadas à idade; entre os idosos treinados, porém, aproximadamente metade delas não foi observada.

Em alguns aspectos, o músculo dos idosos fisicamente ativos se aproximou mais do padrão encontrado em pessoas jovens do que daquele identificado em idosos sedentários. Ainda assim, o treinamento não eliminou todas as diferenças relacionadas ao envelhecimento. Aproximadamente metade delas continuava presente.

Mitocôndrias e adaptação ao exercício

Durante o exercício, a demanda energética aumenta e as mitocôndrias precisam trabalhar mais para fornecer ATP, molécula usada pelas células como fonte de energia. O treinamento regular pode ampliar a capacidade oxidativa do músculo, melhorar o funcionamento mitocondrial e tornar o uso de energia mais eficiente.

O estudo também encontrou diferenças ligadas ao metabolismo do NAD+, molécula envolvida em várias reações celulares e relacionada à produção de energia. Pesquisas anteriores haviam observado associações entre os níveis musculares de NAD+, a função mitocondrial, o número de passos e o desempenho físico em pessoas mais velhas.

Essa associação não permite concluir que suplementos de NAD+ ou de seus precursores produzam os mesmos efeitos do exercício. Uma relação metabólica observada no músculo não equivale, por si só, a uma indicação de suplementação.

O papel do estresse e da recuperação

O exercício eleva temporariamente o consumo de oxigênio e pode aumentar a produção de espécies reativas de oxigênio, conhecidas como ROS. Em excesso, essas moléculas podem oxidar proteínas, lipídios e DNA e participar de processos de dano celular. Em níveis transitórios, porém, também funcionam como sinais para que as células se adaptem.

Esse estímulo pode ativar sistemas antioxidantes produzidos pelo próprio organismo, favorecer adaptações nas mitocôndrias e preparar as células para períodos futuros de maior demanda energética. O processo é associado ao conceito de hormese e, quando envolve as mitocôndrias, também pode ser chamado de mitohormesis.

A relação não significa que quanto mais exercício, melhor. Sessões muito intensas ou volumes elevados repetidos sem recuperação adequada podem estar associados a estresse oxidativo persistente, inflamação, dano muscular, alterações imunológicas e queda de desempenho. A resposta depende de fatores como intensidade, duração, estado nutricional e condição física.

O descanso, portanto, integra o processo de adaptação. O exercício oferece o estímulo, enquanto a recuperação permite que o organismo responda a ele. A pesquisa sugere que manter o músculo ativo ao longo da vida pode influenciar a forma como ele envelhece, sem apagar as marcas do tempo. Aos 60, 70 ou 80 anos, as células não voltam aos 20, mas hábitos mantidos por anos podem modificar características mensuráveis dentro do músculo.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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