Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Agro

Agricultura familiar do Sul debate crédito, dívidas e sucessão rural

Representantes do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul discutiram medidas para fortalecer pequenos produtores durante a Expointer.

Agricultura familiar do Sul debate crédito, dívidas e sucessão rural

Representantes das federações de agricultura familiar do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul discutiram os principais desafios do setor durante a 49ª Expointer. O debate reuniu temas como endividamento, acesso ao crédito, custos de produção, infraestrutura, sucessão rural e agregação de valor aos produtos.

Nos três estados, uma parcela significativa da produção agrícola e pecuária é desenvolvida em pequenas propriedades. No Rio Grande do Sul, os eventos climáticos extremos agravaram a situação financeira dos produtores. O estado tem cerca de 360 mil propriedades familiares, com presença nas cadeias de leite, hortaliças e frutas.

Eugênio Zanetti, presidente da Fetag/RS, afirmou que os agricultores gaúchos enfrentaram cinco secas e a enchente de 2024. Ele citou o endividamento, os preços baixos das commodities, as margens apertadas e o aumento dos custos de produção como fatores que pressionam o setor. A renegociação das dívidas está entre as prioridades apontadas por ele.

Em Santa Catarina, a agricultura familiar responde por cerca de metade do faturamento do agronegócio estadual e tem participação expressiva nas cadeias de aves e suínos. Para Walter Dresch, presidente da Fetaesc, a permanência das famílias no campo depende de produção, infraestrutura e qualidade de vida. Ele mencionou estradas, pontes, segurança, escolas, energia elétrica, internet e oportunidades para os jovens.

No Paraná, cerca de 80% das propriedades rurais têm perfil de agricultura familiar. Entre as prioridades estão a sucessão familiar, o crédito para investimentos, a proteção da produção e a valorização dos produtos.

Crédito, terra e agroindústria

O Pronaf, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, foi apresentado como uma das principais ferramentas de financiamento para custeio, investimentos e expansão das atividades. Também foram discutidas as dificuldades para acessar recursos do Plano Safra e programas de proteção da produção, além do crédito fundiário.

Vânia Marques Pinto, presidente da Contag, destacou que parte dos agricultores não tem terra ou dispõe de áreas pequenas demais para acessar financiamento. Para ela, essa diferença exige políticas públicas específicas.

A agroindustrialização foi apontada como alternativa para elevar a renda, agregar valor à produção e estimular a permanência dos jovens no campo. Alexandre dos Santos, presidente da Fetaep, afirmou que o processamento de frutas pode gerar mais valor por área do que atividades como soja, milho, trigo ou madeira.

Fumicultura

A fumicultura também integrou o debate. Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil, pelo menos 138 mil famílias trabalham com a cultura, que gera quase R$ 15 bilhões em renda anual. O segmento utiliza práticas como a rotação de culturas, mas enfrenta dificuldades de mercado.

Depois de uma produção recorde, os preços do tabaco recuaram nesta safra. As tarifas norte-americanas também afetaram o volume comercializado pela indústria. Marcílio Drescher, presidente da Afubra, citou a previsão de El Niño, as taxações e a necessidade de reduzir a área plantada para recuperar a competitividade.

A reunião marcou a participação conjunta, pela primeira vez, das três federações estaduais que representam a agricultura familiar da Região Sul em um mesmo debate na Expointer. Giovani Ferreira, do Canal Rural Sul, afirmou que o encontro tratou de oportunidades, desafios, políticas públicas e apoio ao setor.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.