A primeira linha hormonal desenvolvida pela plataforma da Bioma deve chegar ao mercado em 2027. A previsão integra uma estratégia que combina a pesquisa da Orygen Research com a autorização para produção industrial concedida à Bioma pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
A empresa recebeu o Certificado de Qualidade em Biossegurança (CQB) nº 714/26, que permite o uso industrial de microrganismos geneticamente modificados (OGMs) na fabricação de insumos microbiológicos para a agricultura. É a primeira autorização desse tipo no Brasil para uma empresa voltada a esse segmento. Até então, o aval havia sido concedido a companhias dos setores farmacêutico e de plantas transgênicas.
Da pesquisa à produção
A Orygen Research, centro de pesquisa e desenvolvimento do Ecossistema Cogny, continuará dedicada às atividades de pesquisa. A unidade já tinha autorização no nível 2 de segurança para manipular os microrganismos. Com o novo certificado, a Bioma passa a contar com respaldo regulatório para ampliar a produção e, posteriormente, comercializar as tecnologias desenvolvidas.
A plataforma utiliza os microrganismos modificados para produzir moléculas específicas. Eles não são o ingrediente final: depois da fermentação, a biomassa é processada e a molécula de interesse é purificada. Artur Soares, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento do Ecossistema Cogny, explica que o microrganismo atua como uma plataforma de produção, e não como produto final.
Entre os microrganismos autorizados está uma cepa modificada para produzir isoprenoides e fitohormônios. A operação ocorrerá exclusivamente em regime de contenção NB-1 industrial, com biorreatores fechados e posterior inativação térmica ou esterilização completa.
Estrutura de biossegurança
O projeto prevê segregação física de fluxos, limpeza e descontaminação, controle de acesso, monitoramento microbiológico e tratamento específico de resíduos. A infraestrutura inclui uma central de limpeza Clean-in-Place (CIP) e uma Estação de Tratamento de Efluentes com Central de Inativação Térmica. Os resíduos são processados a 127°C por 30 a 45 minutos antes do descarte.
Além da linha hormonal prevista para 2027, a empresa projeta moléculas purificadas, peptídeos para o agro e substâncias voltadas ao controle de pragas e doenças. Marcelo de Godoy Oliveira, CEO e fundador do Ecossistema Cogny, afirmou que a integração entre pesquisa e produção industrial cria uma plataforma para transformar descobertas biotecnológicas em produtos destinados ao campo.



