As chuvas que atingem áreas produtoras de cana-de-açúcar no Centro-Sul reduziram a produção esperada de açúcar e mantiveram as cotações do cristal branco em alta. No mercado paulista, o etanol hidratado interrompeu uma sequência de quase dois meses de valorização e voltou a recuar.
A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgada nesta terça-feira (29). A entidade relaciona a queda do biocombustível principalmente à necessidade de caixa de algumas usinas e à liberação de espaço nos tanques.
Mesmo com a pressão sobre os preços, o clima chuvoso limitou o volume ofertado pelas unidades produtoras. Pesquisadores do Cepea afirmam que as precipitações em boa parte das regiões de cana levaram as usinas a reduzir a quantidade de etanol colocada no mercado.
Comercialização do etanol
Algumas distribuidoras concentraram as operações na retirada de volumes comprados anteriormente. Com isso, passaram a esperar novos movimentos dos preços no curto prazo.
O recuo recente não eliminou o ritmo maior de negociações observado na comparação anual. Conforme os dados do Cepea, o volume médio semanal comercializado em setembro ficou 57,7% acima do registrado no mesmo período de 2025.
Menor oferta de açúcar
No segmento do açúcar, as chuvas vêm atrasando a colheita da cana no Centro-Sul. Esse movimento reduz a produção do adoçante e diminui a disponibilidade no mercado, cenário associado à continuidade da alta do açúcar cristal branco.
As projeções para a safra 2026/27 na região também foram reduzidas. Para os pesquisadores do Cepea, a perspectiva de produção menor nos próximos meses deve manter restrita a oferta doméstica e dar sustentação às cotações.
Assim, as mesmas condições climáticas afetam os dois mercados de maneira distinta. No etanol, questões financeiras das usinas e o comportamento das distribuidoras pressionaram os preços. No açúcar, o atraso da colheita restringiu a produção e favoreceu a elevação das cotações.



