SÃO PAULO — A produção de açúcar caiu 11,7% no acumulado da safra até 15 de agosto, mesmo com a moagem de cana-de-açúcar acima do volume registrado no ano passado. Os dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), citados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ajudam a explicar a pressão sobre os preços do cristal no estado de São Paulo.
A oferta restrita também aparece nas negociações no mercado spot paulista. Colaboradores consultados pelo Cepea relatam menor disponibilidade do produto, em um cenário no qual as usinas estão destinando uma parcela maior da cana para a fabricação de etanol. Com isso, proporcionalmente, sobra menos matéria-prima para a produção de açúcar.
Chuvas afetam moagem e etanol
As precipitações nas regiões produtoras de cana-de-açúcar do Centro-Sul interromperam atividades no campo e limitaram a disponibilidade de biocombustível. No mercado paulista, os preços dos etanóis hidratado e anidro continuam avançando, conforme análise divulgada pelo Cepea nesta terça-feira (15).
A previsão de novas chuvas mantém a atenção dos agentes do setor sobre o andamento da etapa final da moagem. Pesquisadores do Cepea avaliam que paralisações e atrasos deixam em dúvida o volume de cana que ainda poderá ser processado até o encerramento da temporada.
Essa incerteza também alcança os estoques de etanol previstos para os próximos meses. O ritmo da moagem, combinado com a destinação maior da matéria-prima ao biocombustível e com a menor oferta de açúcar, será acompanhado pelos agentes do setor durante a reta final da safra.
No caso do açúcar cristal, a restrição de oferta e o perfil mais alcooleiro da safra contribuem para sustentar as cotações em São Paulo. Para o etanol, as interrupções provocadas pelas chuvas reduzem a disponibilidade no mercado, enquanto novas precipitações podem afetar a continuidade das atividades no campo.



