O Brasil ultrapassou o limite definido pela China para exportar carne bovina sem tarifa adicional, segundo cálculos da Safras Consultoria. A cota era de 1,106 milhão de toneladas, mas os embarques considerados pela consultoria chegaram a 1,205 milhão de toneladas.
A conta inclui cerca de 176,4 mil toneladas enviadas em novembro e pouco mais de 149,5 mil toneladas embarcadas em dezembro. Como esses carregamentos chegaram aos portos chineses em 2027, foram contabilizados na cota de 2026. Acima do limite, incide uma tarifa adicional de 55%.
Embarques de agosto
O esgotamento antecipado da cota afetou o resultado de agosto. As exportações brasileiras de carne bovina para a China totalizaram 16,080 mil toneladas, quase 90% abaixo das 158,06 mil toneladas registradas no mesmo mês do ano passado.
Esse foi o menor volume enviado ao país desde dezembro de 2021. Naquele período, o Brasil estava impedido de vender carne bovina à China por causa da suspeita de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EBB), conhecida como doença da vaca louca.
Em julho, os embarques somaram 82,7 mil toneladas, queda de 47,8% na comparação com o mesmo mês de 2025. A Safras afirmou que o desempenho de agosto já era esperado devido aos volumes abaixo do habitual após o fim antecipado da cota.
A consultoria também informou que o Brasil busca diversificar os destinos das exportações, mas avaliou que substituir a China é uma tarefa complexa.
Uso das cotas
Considerando os dados oficiais chineses, que contabilizam as cargas desembarcadas no país, o Brasil havia utilizado 91,53% de sua cota. A Austrália alcançou 101,61%; a Argentina, 52,4%; o Uruguai, 28,05%; a Nova Zelândia, 36,44%; e os Estados Unidos, 0,6% de uma cota de 164 mil toneladas.



