Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Endividamento reduz investimentos e ameaça permanência de agricultores no RS

Dívidas ligadas ao Pronaf chegam a R$ 8,5 bilhões, enquanto produtores relatam cortes de custos e saída da atividade rural.

Endividamento reduz investimentos e ameaça permanência de agricultores no RS
Foto: Arquivo pessoal

A falta de recursos para investir marca o início da nova safra de verão para pequenos produtores do Rio Grande do Sul. Agricultores e representantes sindicais relatam que anos de perdas provocadas por problemas climáticos reduziram as reservas financeiras e limitaram a capacidade de custear a produção.

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS) estima que as dívidas de agricultores e pecuaristas enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) somem R$ 8,5 bilhões. Desse total, cerca de R$ 3 bilhões, equivalentes a 35%, podem ser renegociados conforme as regras da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, publicada pelo governo federal.

Cortes para manter a produção

Em Nova Esperança do Sul (RS), o produtor Gabriel Silva tenta iniciar mais um ciclo em uma propriedade de 30 hectares, dedicada à soja no verão e à criação de gado em pastagens durante o inverno. As safras de 2021/22 e 2022/23 registraram médias de produtividade de 15 e até 5 sacas por hectare.

Mesmo com a melhora das chuvas e da produção em 2025/26, a diferença entre os custos, especialmente com fertilizantes, e o preço da soja comprometeu o resultado. Sem margem para manter o manejo planejado, Silva afirma: “A gente já não tem como investir o que investia antes.”

Para a próxima safra, o produtor pretende diminuir o uso de insumos. A redução deve atingir adubo, herbicida, inseticida e fungicida, com a manutenção apenas do necessário enquanto aguarda uma melhora nas condições climáticas e nos preços.

Pressão sobre famílias rurais

No oeste do Estado, 80% dos aproximadamente 1.500 agricultores familiares representados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tupanciretã e Jari enfrentam grave crise financeira e aumento do endividamento.

João Antônio Moreira Cardoso, presidente do sindicato e pequeno produtor, afirma que os agricultores consumiram gradualmente suas economias depois de cinco anos de redução na produção, associados a variações de preços, secas e enchentes.

Parte dos produtores considera deixar as propriedades para buscar emprego assalariado. Cardoso também relata demissões em propriedades maiores, porque os empregadores não conseguem manter os trabalhadores. Para ele, a migração para o emprego formal ocorre sem garantia de que haverá vagas disponíveis.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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