Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Fazenda em Pindamonhangaba registra remoção de carbono maior que suas emissões

Inventário verificado pela KPMG aponta balanço negativo de gases de efeito estufa na Fazenda São Pedro da Mantiqueira.

Fazenda em Pindamonhangaba registra remoção de carbono maior que suas emissões

A Fazenda São Pedro da Mantiqueira, em São Paulo, registrou remoção de carbono superior às emissões de gases de efeito estufa. O balanço foi elaborado pela pesquisadora Susian Christian Martins e verificado de forma independente pela KPMG.

O inventário considera emissões relacionadas ao uso de combustível, à atividade do rebanho, à aplicação de fertilizantes e ao consumo de energia elétrica. Do outro lado da conta estão as remoções, principalmente o carbono levado pelas raízes das plantas para o solo.

Quando as remoções superam as emissões, o resultado é negativo e a propriedade funciona como um sumidouro de carbono. O cálculo da Agropecuária São Pedro da Mantiqueira Ltda., do Grupo Roncador, corresponde à safra 2023/2024 e segue o GHG Protocol Agropecuário.

Diferentes formas de medir o carbono

A remoção de carbono no solo pode ser estimada por diferentes níveis de precisão. O Tier 2 usa fatores nacionais ajustados ao bioma e às condições do Brasil. O Tier 3 aplica parâmetros locais, calibrados para a região e para a propriedade. Já o Tier 3 Métrico utiliza amostras de solo analisadas em laboratório pelo método CHN.

De acordo com a descrição técnica do inventário, quanto mais os dados se baseiam em medições próprias da fazenda, maior tende a ser o sequestro reconhecido. Os cálculos consideram os gases CO₂, CH₄ e N₂O, convertidos em CO₂-equivalente pelos potenciais de aquecimento global do IPCC (AR5).

A análise foi relacionada ao Sistema Regenerativo Integrado Roncador. O documento afirma que os fatores padronizados são conservadores e não conseguem considerar completamente o efeito desse sistema sobre o ecossistema e o armazenamento de carbono no solo.

Carbono efêmero entra em uma conta separada

Além do estoque de carbono que permanece no solo, o trabalho apresenta o chamado carbono efêmero. Trata-se do carbono fixado pelas plantas e movimentado ao longo de um ano, parte do qual retorna relativamente rápido à atmosfera.

Na pecuária, são considerados apenas os componentes que permanecem temporariamente armazenados, como o tecido corporal do animal, a biomassa de microrganismos do solo e a parcela do esterco que se estabiliza. O carbono que volta à atmosfera pela respiração ou que já aparece na conta do metano fica fora dessa estimativa.

O cálculo incluiu o carbono que vira produto e deixa a fazenda, como o grão de soja e a massa corporal do boi, além do material que se humifica no solo. Reservas de milho, silagem, sorgo e snaplage mantidas na propriedade não entraram na conta. Por isso, o fluxo temporário efetivamente manejado pode ser maior que o número contabilizado.

O carbono efêmero não faz parte do balanço de gases de efeito estufa verificado. Ele representa um fluxo anual temporário, e não um estoque permanente.

Medição abaixo dos 30 centímetros

A Fazenda São Pedro da Mantiqueira também mediu o solo até 2 metros de profundidade, enquanto os inventários de carbono normalmente consideram apenas os primeiros 30 centímetros.

No talhão analisado, a camada entre 30 centímetros e 2 metros armazenou 330,67 tCO2eq/ha. Nos primeiros 30 centímetros, o estoque foi de 267,08 tCO2eq/ha. A comparação indica que uma parcela maior do carbono medido estava abaixo da profundidade considerada pela régua padrão.

O produtor rural Pelerson Penido Dalla Vecchia relata observar raízes vivas além de 2 metros e o escurecimento gradual do solo em profundidade. A hipótese apresentada é que parte do carbono acumulado em solos tropicais profundos pode ficar fora dos inventários convencionais.

O próprio trabalho ressalta que essa etapa não integra o inventário verificado e deve ser tratada como hipótese de investigação. A questão colocada é se o carbono profundo também aumenta sob manejo adequado.

A metodologia técnica incluiu amostras de campo e análises CHN conduzidas por Susian Christian Martins. Para a estimativa do carbono retido na pecuária, foram considerados estudos e sistemas técnicos sobre exigências nutricionais, fermentação ruminal, emissão de metano e partição de nutrientes.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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