Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Estudo aponta origem europeia dos morcegos há cerca de 65 milhões de anos

Análise de genomas e fósseis reorganiza a evolução dos morcegos e indica que voo e ecolocalização surgiram cedo.

Estudo aponta origem europeia dos morcegos há cerca de 65 milhões de anos
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial/Catraca Livre

Um estudo publicado na Nature indica que os morcegos provavelmente surgiram na Europa há cerca de 65 milhões de anos, no final do Paleoceno. A conclusão foi obtida a partir da combinação entre dados genéticos de espécies atuais e informações de fósseis antigos.

A pesquisa analisou genomas de 103 espécies, representantes das 21 famílias atuais de morcegos, além de 44 fósseis anteriores ao período Quaternário. Também foram comparadas centenas de características anatômicas, incluindo estruturas do crânio e dos dentes, mudanças na posição dos continentes e possíveis rotas de dispersão.

Uma origem difícil de reconstruir

Durante décadas, diferentes hipóteses apontaram a Ásia, a África ou a América do Norte como possíveis locais de origem dos morcegos. O registro fóssil dos primeiros integrantes do grupo é incompleto porque seus esqueletos são leves e delicados, características favoráveis ao voo, mas pouco propícias à fossilização.

A capacidade de percorrer grandes distâncias também dificulta a reconstrução da distribuição ancestral apenas com base nos locais onde as espécies vivem atualmente. A nova análise incorporou fósseis diretamente à reconstrução genética e alterou o entendimento sobre a origem e as relações entre os grupos.

Depois de surgir na Europa, a linhagem ancestral provavelmente chegou primeiro à África. A partir desse eixo europeu-africano, diferentes grupos se espalharam para a Ásia, as Américas e a Austrália ao longo de milhões de anos.

Voo e ecolocalização

A reconstrução reorganizou a posição de alguns grupos na árvore evolutiva, incluindo a família Myzopodidae e as relações entre grandes superfamílias. Com isso, os pesquisadores conseguiram revisar a sequência em que determinadas características apareceram e foram herdadas.

Como a origem do grupo foi estimada em aproximadamente 65 milhões de anos e todos os morcegos conhecidos pertencem a uma linhagem adaptada ao voo, o estudo indica que o voo motorizado surgiu muito perto da base da evolução desses mamíferos. Eles são os únicos mamíferos conhecidos capazes de voo sustentado verdadeiro, diferentemente de animais que apenas planam.

A posição de fósseis antigos, especialmente do gênero Vielasia, sugere que a ecolocalização laríngea já existia antes da grande diversificação das linhagens modernas. Voo e ecolocalização podem ter surgido cedo e atuado em conjunto nas fases iniciais da evolução dos morcegos.

Possíveis aplicações médicas

A nova árvore evolutiva pode ajudar a investigar genes relacionados à resposta imunológica, mecanismos associados à longevidade, resistência a danos celulares e relações entre morcegos e determinados vírus.

Isso não significa que esses animais sejam imunes a doenças. Diferentes espécies podem sofrer infecções, e milhões de morcegos na América do Norte morreram em consequência da síndrome do nariz branco, causada por um fungo. O interesse científico está na forma como algumas espécies convivem com determinados agentes infecciosos, de maneira diferente de outros mamíferos.

A conclusão sobre a origem europeia não encerra todas as questões sobre os primeiros morcegos, mas reduz incertezas sobre a história evolutiva do grupo e aproxima o surgimento do voo e da ecolocalização do início dessa trajetória.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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