Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Dados próprios e julgamento humano definem o uso da IA no agro

Especialistas afirmam que a inteligência artificial amplia análises e cenários, mas resultados dependem de pessoas, dados internos e governança.

Dados próprios e julgamento humano definem o uso da IA no agro

O uso de dados próprios pode ser o principal diferencial das empresas que adotam inteligência artificial, enquanto aplicações mais básicas da tecnologia tendem a se tornar commodities. Essa avaliação foi apresentada por especialistas durante o Arena Impacto, realizado na quinta-feira (3), no Cubo Itaú, em São Paulo.

Silvio Meira, professor emérito do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirmou que a inteligência artificial pode organizar informações, ampliar o campo de visão e apresentar possibilidades, mas não define os objetivos nem assume a responsabilidade pelas escolhas. Para ele, a capacidade mais importante passou a ser reconhecer quando não se deve confiar na tecnologia.

Na avaliação de Meira, a vantagem competitiva aumenta quando a empresa integra a IA aos próprios dados, à governança e à estrutura organizacional. Descrição, diagnóstico e previsão estão entre os usos mais simples, enquanto a recomendação de ações e a comparação de alternativas representam aplicações mais avançadas.

O professor também apontou que algumas companhias evitam colocar informações proprietárias em ambientes de nuvem por preocupações relacionadas a compliance e governança. Como alternativa, utilizam dados públicos ou de mercado, mas isso não produz o mesmo diferencial que o conhecimento acumulado internamente e convertido em inteligência.

Aplicações no agronegócio

Ricardo Cavallini, autor de livros sobre negócios e inovação, disse que a IA pode ser empregada em produtividade, simulações e na criação de produtos, serviços e soluções. No agronegócio, citou casos em que a tecnologia gera economia de 87% no uso de químicos.

Para o vice-presidente global da Solinftec, Denis Arroyo, produtores rurais precisam considerar a inteligência artificial como parte permanente do desenvolvimento do setor, e não como um modismo ou um produto isolado. Marco Righetti, diretor de tecnologia da Oracle na América Latina, afirmou que o Brasil tem oportunidades de ampliar a infraestrutura para esse tipo de uso, inclusive com data centers em fazendas e processamento local com soberania de dados.

Executivos que utilizam a tecnologia nas operações disseram que a IA pode automatizar tarefas e acelerar processos, mas seu valor depende da forma como as pessoas a aplicam. Daniela Cachich, CEO da divisão Beyond, da Ambev, afirmou: “O grande diferencial é o humano que está usando”.

Paula Harraca, presidente da Ânima Educação, declarou que a tecnologia também exige melhores perguntas dos usuários, além de repertório, experiência, curiosidade, criatividade e pensamento crítico.

Paulo Vicente Alves, professor da Fundação Dom Cabral, avaliou que as tecnologias atuais ainda não são definitivas. Segundo ele, a revolução deve alcançar seu auge na década de 2040. Meira acrescentou que transformações que antes levavam décadas agora ocorrem em dois ou três anos, o que exige avaliar os investimentos pela capacidade de preparar as empresas para decidir como competir no futuro.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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