Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Pele de tilápia será produzida em escala industrial para tratar queimaduras

A tecnologia desenvolvida pela UFC deverá ser dividida entre exportação e atendimento a pacientes queimados pelo SUS.

Pele de tilápia será produzida em escala industrial para tratar queimaduras

JAGUARIBARA (CE) — A pele de tilápia desenvolvida como curativo para queimaduras pela Universidade Federal do Ceará (UFC) avançará para a produção em escala industrial após um acordo com uma empresa privada. A previsão é que metade do material seja exportada e a outra parte seja disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de pacientes queimados no Brasil.

A fábrica será instalada em Jaguaribara, no sertão do Ceará. O município é o maior produtor de tilápia do estado e fica às margens do Açude Castanhão, a 130 quilômetros de Orós, segundo maior produtor cearense do peixe.

Uso da pele e efeitos no tratamento

O material é obtido após a retirada das células do tecido da tilápia. Com o procedimento, a pele se torna praticamente um colágeno, com resistência elevada e difícil de rasgar. De acordo com Manoel Odorico de Moraes, professor, doutor e coordenador das pesquisas, o curativo reduziu em mais de 70% a dor em comparação com a sulfadiazina de prata, tratamento comum nos hospitais.

A aplicação também pode permanecer no paciente por mais de duas semanas em alguns casos. O medicamento usado atualmente precisa ser trocado a cada dois dias. Para Odorico, a ausência de trocas diárias reduz os custos do sistema de saúde.

O presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros, afirmou que o novo produto representa uma possibilidade de comercialização para um subproduto que costumava ser descartado. Ele ponderou, porém, que o impacto financeiro sobre a produção e a comercialização de tilápia é pequeno diante da quantidade produzida no país.

A utilização do material é estudada em outras áreas. Segundo Odorico, existem 48 aplicações em avaliação para a medicina humana, a medicina veterinária e a odontologia. Veterinários já usam a pele para tratar lesões de córnea, enquanto pesquisadores analisam seu emprego em neurocirurgias e em lesões de tendão.

Aplicações fora do Brasil

A tecnologia também ganhou atenção internacional após uma veterinária na Califórnia usar a pele de tilápia no tratamento da queimadura na pata de um urso. O animal retirava os curativos por causa da dor, mas teve melhora após a aplicação do material.

Odorico afirmou que mais de 300 pessoas já haviam sido tratadas antes de o caso do animal ampliar a divulgação internacional da pesquisa. “A pele é um subproduto, ou seja, somente no Brasil hoje se abate mais de um bilhão de peixes por ano”, disse Francisco Medeiros. Para o presidente da Peixe BR, a utilização do tecido aumenta o aproveitamento de produtos e subprodutos da tilápia.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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