Representantes da piscicultura pediram ao governo a criação de uma cota anual para a importação de filé de tilápia. O documento foi entregue na quinta-feira (24/9) ao ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, por entidades do setor.
A proposta estabelece um limite de 16,2 mil toneladas por ano, equivalente a 5% do volume de filé de tilápia consumido no mercado brasileiro. A medida valeria para produtos de qualquer país e, segundo Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), não teria como objetivo proibir as compras externas ou fechar o mercado.
Assinam o pedido a Abipesca, a Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União (Peixe SP), a Associação Catarinense de Aquicultura (ACAq), a Associação Mineira de Aquicultura (Peixe MG) e a Associação dos Aquicultores de Mato Grosso (Aquamat).
Importações do Vietnã
A principal preocupação das associações é o crescimento da entrada de filé vietnamita. Entre janeiro e agosto deste ano, o volume importado aumentou 3,5 vezes, passando de 1.407 toneladas para 4.892 t, conforme dados do Centro de Inteligência e Mercado em Aquicultura, da Embrapa Pesca e Aquicultura.
A importação de tilápia do Vietnã foi retomada em dezembro de 2023. A espécie ocupa a terceira posição entre os pescados mais importados pelo Brasil, atrás do salmão e do pangasius.
Marilsa Patrício Fernandes, secretária executiva da Peixe SP, afirmou que “Essa importação é predatória e está tirando emprego e renda dos produtores brasileiros, especialmente dos pequenos e médios.”
As entidades também relacionam as dificuldades do setor aos desafios nas exportações, ao aumento dos custos de produção e às incertezas regulatórias ambientais. No 1º semestre de 2025, o Brasil exportou 6.893 t de tilápia para os EUA; neste ano, o volume caiu para 2.778 toneladas.
O pedido inclui ainda maior fiscalização sobre o padrão de identidade e qualidade, o teor de glazing — adicional de água — e a conformidade socioambiental dos produtos importados. As associações afirmam que o filé vietnamita chega mais barato porque contém água adicionada, prática proibida para empresas nacionais.



