Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ribeirinhos temem nova seca severa na Amazônia com retorno do El Niño

Comunidades do Amazonas cobram medidas permanentes diante da previsão de um El Niño mais severo que o registrado entre 2023 e 2024.

Ribeirinhos temem nova seca severa na Amazônia com retorno do El Niño

Ribeirinhos da Amazônia temem que uma nova estiagem provoque o isolamento de comunidades, prejudique o turismo e comprometa o acesso à água e à alimentação. O receio aumentou com a previsão de que o El Niño, que voltou em 2026, seja mais intenso do que o registrado entre 2023 e 2024.

Na comunidade Tumbira, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, em Iranduba (AM), o empreendedor de turismo de base comunitária Roberto Brito já deixou de aceitar novas reservas para outubro e novembro. A decisão está relacionada à possibilidade de os barcos voltarem a ficar impedidos de navegar em trechos rasos do rio.

Durante a estiagem de 2023 e 2024, o nível do Rio Negro baixou de forma considerada fora do normal pelo ribeirinho. “Teve dia em que secou 25 a 28 cm”, afirmou Roberto, que também é líder comunitário. Segundo ele, quando a redução ultrapassa 12 cm por dia no período mais seco e quente, entre julho e novembro, a situação exige atenção.

Nos dias 27 e 28 de agosto, o nível do rio caiu 28 cm, conforme o acompanhamento do porto de Manaus. Em setembro, a redução acumulada chegou a 2,57 metros, levando o nível a 21,62 metros. Em apenas um dia, o recuo foi de 19 cm.

Impacto na comunidade

A economia da Tumbira depende principalmente do turismo: 70% da atividade local está ligada ao setor. A comunidade reúne 40 famílias e cerca de 160 pessoas, e o acesso ao local, situado a cerca de 70 km de Manaus em linha reta, é feito apenas por barco.

Roberto afirma que a seca anterior provocou desistências na pousada e o obrigou a devolver valores. Ele mantém uma reserva até 20 de setembro, mas não está aceitando novas hospedagens para os meses seguintes. “Em 2023, com a seca, tivemos muita desistência, porque não dava para operar”, disse.

O ribeirinho, que nasceu na comunidade vizinha de Santa Helena do Inglês há 51 anos, também relata a percepção de que o calor e as secas se intensificaram. Pesquisadores têm associado o aumento da frequência de extremos climáticos ao aquecimento global.

Cobrança por medidas permanentes

Em agosto, a Cáritas Arquidiocesana de Manaus promoveu uma audiência popular para discutir ações emergenciais para povos e comunidades ribeirinhas. Organizações da sociedade civil e órgãos públicos participaram do encontro. Dos 28 órgãos convidados, treze compareceram.

Lideranças de dez comunidades apontaram como prioridades a segurança alimentar e o abastecimento de água. Entre as demandas estão a perfuração de poços, a aquisição de triciclos para transportar a produção e a instalação de sistemas de irrigação.

A secretária-executiva da Cáritas, Daniele Rodrigues da Silva, afirmou que os representantes do poder público não apresentaram uma proposta ou um plano para enfrentar uma possível seca. Participaram, entre outros órgãos, a Defesa Civil do Amazonas, a Secretaria de Saúde, o ICMBio, o IPAAM e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado.

A audiência resultou em uma carta-manifesto com cobrança por respostas do Estado. O documento defende que medidas emergenciais, como cestas básicas e distribuição de água, não substituem estruturas permanentes de abastecimento e apoio à produção das comunidades.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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