Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Soro de leite mais caro abre espaço para concentrado de soja na alimentação animal

A alta demanda humana por whey protein reduziu a oferta de soro para rações e elevou o interesse por concentrados vegetais.

Soro de leite mais caro abre espaço para concentrado de soja na alimentação animal

A maior procura humana por whey protein e outros alimentos enriquecidos com proteína reduziu a disponibilidade de soro de leite para a nutrição animal. Com menos matéria-prima e custos maiores, o concentrado proteico de soja (SPC) passou a ser considerado uma alternativa em formulações para diferentes espécies.

Dados da StoneX indicam que o preço do whey protein concentrado (WPC 80) avançou entre 90% e 105% nos últimos 12 meses. A valorização aumentou a competição entre fabricantes de rações e segmentos de alimentos, bebidas e suplementos destinados ao consumo humano.

“O mercado de alimentação animal passou a disputar o soro de leite com segmentos dispostos a pagar mais pela matéria-prima”, afirma Bruno Wernick, gerente técnico de vendas da Rio Pardo Proteína Vegetal. Segundo ele, o cenário pode ampliar o uso do SPC por empresas que já trabalham com o ingrediente e estimular sua avaliação por fabricantes que ainda dependem de fontes proteicas lácteas.

Aplicações nas rações

Wernick, médico-veterinário com mais de 30 anos de experiência em nutrição animal, aponta que o concentrado de soja pode ser utilizado em dietas com alto nível de digestão, especialmente nas fases iniciais de desenvolvimento.

O ingrediente pode substituir parcialmente o leite desnatado, o soro de leite em pó e a farinha de peixe em rações pré-iniciais e iniciais para leitões recém-desmamados. Também pode atender às necessidades de bezerros de até sete semanas e integrar formulações para pintinhos, cães, gatos, peixes e camarões.

A Quimtia, que produz rações e premixes para bovinos, suínos, aves, organismos aquáticos, animais de companhia e de zoológico, avalia o uso do ingrediente. Betina Odebrecht, compradora da empresa, relaciona a busca por alternativas à oferta irregular e à oscilação dos preços dos derivados lácteos.

Segundo Betina, Goiás importou 374,4 toneladas de soro de leite no primeiro semestre deste ano, alta de 17,9% sobre o mesmo período de 2025. O produto, principalmente da Argentina, representou 87,2% das compras de lácteos do estado.

A executiva afirma que a exigência de qualidade, composição nutricional e certificação da cadeia aumenta o interesse por concentrados vegetais. A adaptação da indústria ocorre de forma gradual, enquanto a disputa com a nutrição humana se intensifica.

A redução da produção leiteira na Europa também pressiona a oferta. Na Holanda, um distribuidor da Rio Pardo identificou aumento no preço de suplementos de whey. Embalagens de 900 gramas que custavam cerca de US$ 7, aproximadamente R$ 35, passaram a ser vendidas por cerca de 16 euros, ou R$ 95.

Estudos da Aquadvise, no Chile, da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) registraram índices de digestibilidade superiores a 98% em salmões, 94,32% em suínos e 83,7% em aves para concentrados vegetais de soja.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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