A pressão sobre o fornecimento de ingredientes lácteos está levando fabricantes de suplementos a ampliar o uso de proteínas alternativas e a oferecer produtos com menor concentração proteica. A mudança ocorre junto com reajustes de preços e redução no tamanho das embalagens.
Na Growth Supplements, sediada em Tijucas (SC), a margem caiu pela metade, informou o CEO Diego Freitas. A empresa havia absorvido inicialmente a alta dos custos para evitar repasses, mas passou a reajustar os preços à medida que a pressão continuou. Também acelerou o lançamento de produtos formulados com menos proteína ou com fontes diferentes.
Substituição de matérias-primas
De acordo com Freitas, a procura por WPC80, que representa mais da metade do consumo de whey da empresa, começou a se deslocar para versões com menor concentração. Albumina, caseína, ervilha, arroz e soja estão entre as alternativas adotadas. A Growth também colocou no mercado embalagens menores, com o objetivo de reduzir o preço final.
Freitas avalia que a oferta pode se ajustar nos próximos anos. “Acho que vai haver um novo equilíbrio nos próximos anos”, afirmou, ao mencionar a inauguração e a expansão de unidades produtoras de WPC80 e WPI.
Na Integralmedica, cuja fábrica fica em Embu-Guaçu (SP), a elevação dos custos resultou em três aumentos de preços ao longo do ano. O CEO Filipe Bragança disse que os reajustes acompanham a valorização das matérias-primas, enquanto a empresa busca ganhos de eficiência para conter os efeitos sobre as margens.
A fabricante combina matérias-primas nacionais e importadas. Segundo Bragança, a escala da operação permite firmar contratos e cotas de fornecimento de longo prazo, aumentando a previsibilidade do abastecimento. Ainda assim, ele relata dificuldades para assegurar o volume necessário de alguns insumos, diante da maior demanda e da menor disponibilidade global.



