A dependência externa do Brasil em etapas de refino e processamento de minerais críticos é um dos desafios que, para a Academia Brasileira de Ciências (ABC), exigem uma estratégia nacional apoiada em pesquisa. A entidade defende a combinação de exploração sustentável, desenvolvimento tecnológico e industrialização para fortalecer a soberania do país.
A posição faz parte de um documento divulgado em julho, elaborado a partir de diagnósticos e propostas apresentados pela ABC nos últimos quatro pleitos eleitorais. O material sustenta que as respostas aos principais problemas brasileiros já podem ser formuladas com base nas evidências disponíveis, mas dependem de execução, continuidade e governança.
Clima e educação entre os desafios
A entidade também relaciona a pesquisa científica à degradação dos biomas e ao aumento de eventos extremos. Para a ABC, a mudança climática deixou de ser uma questão a ser tratada posteriormente. Entre as medidas defendidas estão o fim do desmatamento e a retirada gradual dos combustíveis fósseis, em políticas associadas à saúde, à economia e ao bem-estar da população.
Na educação, o país ampliou o acesso, mas ainda convive com estagnação na qualidade e desigualdades regionais. A alfabetização na idade adequada e a oferta de um ensino médio mais atrativo e técnico aparecem como medidas necessárias para conter a evasão.
Financiamento abaixo das metas
O Brasil passou de 10 mil doutores titulados em 2005 para cerca de 24 mil em 2023 e criou marcos legais de incentivo à pesquisa. Ainda assim, o financiamento permanece insuficiente e instável. A meta defendida há décadas de destinar 2% do PIB à área nunca foi alcançada.
Dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mostram que os gastos nacionais em pesquisa e desenvolvimento chegaram a 1,2% do PIB em 2023. O índice supera a média da América Latina e do Caribe, mas fica abaixo da média mundial de 1,92% e dos 2,7% dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A ABC afirma que os recursos não devem atender apenas às demandas do mercado. O apoio à pesquisa básica, considerada fundamental para ampliar o conhecimento, também precisa ser preservado. Ao mesmo tempo, a formação profissional deve acompanhar novas necessidades, como a Inteligência Artificial, e a transição energética requer investimentos tecnológicos.
Ciência como eixo das decisões públicas
Para Helena Nader, atual Presidente da Academia Brasileira de Ciências, a ciência deve ocupar posição central nas propostas dos candidatos aos cargos do Executivo e do Legislativo. A entidade defende políticas públicas estáveis, investimento permanente em educação e pesquisa, valorização dos cientistas e fortalecimento das instituições científicas.
A avaliação da ABC é que esse conjunto de medidas amplia a capacidade do país de monitorar riscos, desenvolver soluções próprias, formar profissionais e reagir a emergências de saúde, clima e outras áreas. Com as eleições para presidente, governadores, deputados e senadores, o Brasil terá, neste domingo, uma oportunidade de escolher propostas baseadas em evidências e voltadas às necessidades nacionais.



