A conta de luz pode aumentar, em média, 9,4% em 2026, conforme a terceira edição do boletim InfoTarifas 2026, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), divulgada em setembro. O cálculo é nacional, mas não representa necessariamente o reajuste aplicado a cada consumidor.
A projeção supera as estimativas de inflação usadas pela agência: 5% para o IPCA e 4,4% para o IGP-M. O impacto efetivo será definido nos processos tarifários de cada distribuidora, levando em conta as condições da área atendida.
A distribuição das estimativas também indica diferenças entre as regiões. Em 16% do mercado, a alta projetada passa de 15%. Outros 10% estão na faixa entre 12% e 15%, enquanto 5% correspondem a áreas com impacto inferior a 3%.
Pressões sobre as tarifas
Os componentes financeiros são o principal fator de pressão e acrescentam 4,7 pontos percentuais à média nacional. Na composição restante, os custos de compra de energia representam 1,1 ponto percentual; os encargos do setor elétrico, 1,6 ponto; a transmissão, 0,9 ponto; e a distribuição, 0,8 ponto.
Esses itens reúnem despesas acumuladas, gastos relacionados à aquisição e ao transporte da energia e encargos associados ao funcionamento do setor elétrico. Para 2026, estão previstos 51 processos tarifários, dos quais 15 são revisões periódicas. O aumento dos ativos reconhecidos pela Aneel também elevou a estimativa em algumas distribuidoras de grande porte.
Medidas de redução
O cálculo já inclui recursos destinados a reduzir parte da alta. A Aneel considerou cerca de R$ 5,2 bilhões do Uso de Bem Público (UBP) das hidrelétricas. Esse montante diminuiu em 1,9 ponto percentual a projeção média nacional.
A agência também aprovou o repasse preliminar de aproximadamente R$ 5,5 bilhões para distribuidoras situadas nas áreas da Sudam e da Sudene. A medida busca reduzir o peso dos reajustes para os consumidores do mercado regulado.



