Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Lula chega à ONU entre tentativa de diálogo com Trump e risco de novas sanções

Presidente discursará antes do líder americano, a 12 dias do primeiro turno e com negociações comerciais ainda sem acordo.

Lula chega à ONU entre tentativa de diálogo com Trump e risco de novas sanções
Foto: Getty Images/BBC News Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursará nesta terça-feira (22/09) na Assembleia Geral da ONU em meio a uma tentativa de reaproximação com os Estados Unidos, à disputa comercial entre os dois países e ao risco de novas sanções americanas contra autoridades brasileiras. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro, 12 dias depois da fala.

Não há reunião bilateral prevista entre Lula e Donald Trump. Como o Brasil tradicionalmente abre o debate geral da ONU desde 1955, o presidente brasileiro falará antes do americano, que discursará como chefe do país anfitrião. A ordem pode favorecer um encontro informal nos corredores, possibilidade que não foi descartada.

Lula já havia dito que gostaria de conversar com Trump em Nova York e pedir que ele não interferisse nas eleições brasileiras. Em um ato de campanha em Porto Alegre, na semana passada, afirmou: "Na ONU eu sou primeiro a falar, depois que eu falo fala o Trump".

Soberania, democracia e crime organizado

A versão mais recente do discurso não prevê menção nominal a Trump, pelo menos em tom crítico. A expectativa é que Lula destaque a soberania nacional, a defesa da democracia, o multilateralismo e mudanças na estrutura da ONU. As guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além da situação em Gaza, também devem ser abordadas.

O combate ao crime organizado ganhou espaço no planejamento. Lula deverá defender a cooperação internacional contra as facções, mas sustentar que as políticas de segurança no território brasileiro devem respeitar a soberania do país. A questão se tornou mais sensível depois que o governo Trump classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Nas relações comerciais, o presidente deve criticar a adoção unilateral de barreiras tarifárias sem transformar necessariamente o discurso em ataque direto a Washington. A estratégia busca combinar uma defesa firme da autonomia brasileira com a preservação do diálogo com o governo americano.

Para Andreza Aruska de Souza Santos, diretora do Instituto Brasil da universidade King's College London, o cenário eleitoral impede que a repercussão doméstica seja separada da dimensão internacional. Ela avalia que um confronto aberto com Trump teria pouco benefício diplomático, mas considera possível defender a soberania e manter uma relação funcional com o presidente americano.

Possíveis sanções e negociações comerciais

O governo brasileiro também acompanha a possibilidade de novas medidas dos Estados Unidos contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A 17 dias da eleição presidencial, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo estiveram em Washington para reuniões com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado. Eles pressionaram pela retomada de sanções contra Alexandre de Moraes e pela extensão das medidas a Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Moraes foi alvo, em julho do ano passado, de sanções financeiras americanas baseadas na Lei Global Magnitsky. Os vistos dele, de familiares e de outros integrantes do STF também foram suspensos. Em 2025, servidores federais ligados à implementação do programa Mais Médicos, criado em 2013, tiveram os vistos revogados. Depois, Alexandre Padilha e Ricardo Lewandowski também foram atingidos por suspensões.

Dentro do governo brasileiro, há expectativa de que integrantes do Supremo voltem a ser sancionados, principalmente Moraes. Uma resposta ainda é avaliada caso novas punições sejam anunciadas durante a passagem de Lula por Nova York.

Mesmo sem uma conversa entre os presidentes, as negociações tarifárias devem continuar. Representantes dos dois países deverão discutir o tema nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, durante uma reunião de ministros de comércio e indústria do G20 em Milwaukee, no Estado americano de Wisconsin.

Márcio Elias Rosa deverá se reunir com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. O chanceler Mauro Vieira também deve integrar a viagem, que marcará o primeiro encontro presencial dos responsáveis pelas tratativas desde a retomada formal do diálogo. As equipes técnicas continuam trocando documentos, mas Elias Rosa afirmou que ainda não existe um esboço de acordo.

O governo brasileiro não espera uma retirada ampla das tarifas nessa rodada. A expectativa considerada mais realista é ampliar a relação de produtos brasileiros excluídos das sobretaxas.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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