Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ataques ao voto feminino ganham espaço em redes e chegam ao debate político

Influenciadores questionam o sufrágio das mulheres, enquanto Cármen Lúcia afirma que qualquer tentativa de eliminá-lo seria inconstitucional.

Ataques ao voto feminino ganham espaço em redes e chegam ao debate político

Declarações contra o direito das mulheres de votar passaram a circular com maior alcance nas redes sociais e começaram a aparecer no debate político brasileiro. Vídeos, podcasts e trechos de programas reúnem críticas ao sufrágio feminino, associando-o a problemas sociais e a mudanças consideradas prejudiciais aos homens.

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que uma proposta para eliminar o voto feminino seria incompatível com a Constituição. Segundo ela, o direito ao voto é universal e não pode ser retirado por meio de uma mudança legal. “A Constituição tinha que ser rasgada”, declarou.

Entre os influenciadores que difundem esse tipo de discurso está Renato Amoedo, conhecido como Renato 38ão. Ele já teve mais de 900 mil seguidores no Instagram e aparece em podcasts voltados à chamada machosfera e à cultura redpill. Em publicações e entrevistas, criticou o voto de mulheres não casadas, defendeu que trabalho e estudo não deveriam ser prioridades femininas e relacionou o sufrágio ao crescimento do Estado do bem-estar social.

O Redcast, apresentado por Junior Masters, também se tornou espaço para comentários sobre o tema. Em uma edição de janeiro de 2026, Ana Hering, integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) e candidata a deputada federal por São Paulo pelo Missão, afirmou que a sociedade começou a piorar quando as mulheres passaram a ser ouvidas. Depois, disse que fazia uma piada e que não defendia a extinção do voto feminino. Masters afirmou que é contra o voto de forma geral, mas não quis detalhar a posição.

Na mesma conversa, Hering disse que as mulheres se interessariam menos por política e tenderiam a aceitar discursos prontos. A neurocientista Suzana Herculano-Houzel contestou a ideia de que homens e mulheres tenham perfis cerebrais que determinem sua capacidade de analisar informações ou tomar decisões. Para ela, os cérebros são essencialmente semelhantes, com diferenças específicas que não explicam comportamentos políticos.

Mulheres que rejeitam o próprio direito de votar

Fernanda Guardian, sócia de uma consultoria de investimentos e com 300 mil seguidores no Instagram, afirmou que abriria mão do voto e classificou o sufrágio feminino como um erro. Pietra Bertolazzi, que tem 1,3 milhão de seguidores, também já declarou ser contra o voto feminino. Ela defende a submissão da mulher ao homem, mas disse que não propõe retirar das mulheres o direito de votar.

O tema se conecta a falas de Paulo Figueiredo, ligado à família Bolsonaro. Em uma live no final de junho, ele afirmou que mulheres, principalmente as solteiras, votariam mal estatisticamente. O então candidato presidencial Flávio Bolsonaro criticou a declaração e disse que a direita deveria tentar convencer as mulheres de suas ideias.

Para a historiadora e cientista política Tatiana Vargas-Maia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), questionar o voto feminino também significa colocar a democracia em dúvida. Ela avalia que a repetição desse discurso pode torná-lo comum e reabrir discussões sobre a distribuição do poder político entre homens e mulheres.

A ideia de voto familiar

A proposta de substituir o voto individual por uma representação da família aparece no sexto fascículo do Livro Amarelo, publicação que reúne ideias do Missão, partido de Renan Santos e Ana Hering. Nesse modelo, a decisão final caberia ao homem considerado chefe da casa.

O partido Missão afirmou que os primeiros e o sexto fascículos têm caráter ensaístico e não formam uma proposta programática. Renan Santos disse que o voto familiar não está em seu programa e que o tema aparece em discussões sobre modelos democráticos.

Um grupo de deputadas federais pediu à Procuradoria-Geral da República que apure se a proposta e as declarações de Paulo Figueiredo tentam intimidar mulheres ou deslegitimar sua participação eleitoral.

Cármen Lúcia afirmou que a defesa do voto feminino exige atenção permanente. Para a ministra, retirar das mulheres a possibilidade de participar das decisões produziria um prejuízo para toda a sociedade.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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