BRASÍLIA — A campanha presidencial chega ao primeiro turno sem o debate previsto para a TV Globo e com a disputa concentrada em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O cancelamento do encontro, na quinta-feira (1°), ocorreu após desistências e decisões judiciais sobre as regras e os participantes.
A ausência do debate reforçou uma campanha em que programas e projetos tiveram menos espaço. Lula havia informado que não participaria. Flávio Bolsonaro, que inicialmente tinha confirmado presença, desistiu depois que a participação de Renan Santos, do Missão, foi assegurada por decisão de Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Renan Santos ganhou apoio entre jovens, principalmente na internet, mas não avançou nas pesquisas. Augusto Cury, do Avante, chegou a registrar 10% das intenções de voto, mas perdeu força depois. Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo, também não conseguiram avançar na disputa.
Ações na reta final
Sem o debate, o PL organizou uma transmissão pela internet com a participação de aliados políticos. A programação foi marcada por críticas a Lula. Flávio Bolsonaro afirmou: “Vai para casa descansar, Lula. Deixa o Brasil em paz”.
No mesmo horário, Lula participou de uma entrevista ao vivo no podcast Flow. Ele destacou programas desenvolvidos durante sua gestão e respondeu a acusações relacionadas ao passado. “Os meus princípios continuam os mesmos. Eu sei de onde eu vim, sei para onde vou”, declarou.
Nas ruas de Brasília, a eleição teve menor presença visível do que quatro anos atrás, quando camisetas, bandeiras do Brasil e faixas apareciam com mais frequência. A polarização, no entanto, permaneceu presente nas redes sociais e no Judiciário.
Eleitores divididos
A dois dias da votação, eleitores ouvidos em Brasília demonstraram posições distintas. João Martins, estudante de arquitetura que pretende votar em Lula, disse estar apreensivo com a possibilidade de a família Bolsonaro voltar ao poder. Bruno Luís, analista de sistema, afirmou estar esperançoso e declarou voto em Flávio Bolsonaro.
Também houve eleitores sem decisão definida. A diarista Terezinha Moreira afirmou não confiar nos candidatos e disse considerar votar nulo. Alef de Oliveira, proprietário de um lava jato, relatou indecisão, apontou Caiado como sua escolha até aquele momento e afirmou que tende a votar em Lula em um segundo turno. Ele ainda não havia decidido os votos para deputado e senador.



