Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Contas e conflitos desafiam governo que assumir a Presidência em 2027

Miguel Daoud avalia que o próximo governo enfrentará pressão fiscal, incerteza jurídica e dificuldades para o crédito e o investimento.

Contas e conflitos desafiam governo que assumir a Presidência em 2027
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

O governo que assumir a Presidência em 2027 terá de lidar com despesas já assumidas, conflitos institucionais e decisões tomadas durante a campanha, avalia Miguel Daoud. Para o comentarista, a distância entre as promessas eleitorais e as condições reais de financiamento será um dos principais desafios do próximo mandato.

A análise destaca que sustentar novas medidas, recuperar a confiança nas instituições e preservar a capacidade de investimento exigirá escolhas que nem sempre aparecem nos discursos de campanha. No agronegócio, a preocupação é ainda maior porque produtores definem compras, contratos de crédito e compromissos financeiros antes de conhecer o resultado da safra.

Conflitos entre os Poderes

Daoud cita o episódio envolvendo André Mendonça, Flávio Dino e Luiz Fux como exemplo do desgaste na relação entre os Poderes. Uma ordem do TSE para retirar publicações foi contrariada no STF e depois restabelecida provisoriamente por outro ministro.

Para o comentarista, divergências jurídicas são parte da atuação de um tribunal, mas decisões individuais conflitantes durante a campanha podem aumentar a percepção de que preferências políticas influenciam integrantes da Corte. Essa percepção, ressalta, não comprova a intenção de nenhum ministro, mas pode reduzir a confiança da sociedade sobre as regras aplicáveis, as competências de cada autoridade e a forma de resolver disputas.

A perda de previsibilidade pode afetar investimentos, elevar a exigência de garantias e encarecer o financiamento. No campo, contratos e projetos dependem de estabilidade por vários anos.

Bets e pressão sobre as contas

A proibição das bets, anunciada pelo governo por medida provisória na reta final da eleição, alcança apostas esportivas e jogos online. A medida busca responder aos efeitos do jogo compulsivo sobre a renda, as relações familiares e a situação financeira dos usuários.

Na avaliação apresentada, porém, retirar plataformas do ar não elimina a dependência. Sem tratamento e fiscalização efetiva, parte dos apostadores pode recorrer a operadores clandestinos, com menor proteção. Também permanecem possíveis disputas jurídicas: empresas haviam recebido autorizações, pago outorgas e firmado contratos, e o setor recorreu ao Supremo contra a proibição.

A recomposição do Bolsa Família, o programa de renegociação de dívidas e a retirada de uma receita prevista no Orçamento por causa da proibição das bets também pressionam as contas de 2027. Daoud considera que o governo seguinte terá de estabelecer prioridades, revisar gastos e benefícios tributários e negociar com o Congresso.

Dívidas e cenário internacional

Os juros do setor público ultrapassaram R$ 1 trilhão em doze meses, enquanto as famílias comprometem quase 30% da renda com o pagamento de dívidas. Entre as empresas mais endividadas, a geração de caixa pode não ser suficiente para cobrir os encargos financeiros.

A avaliação também considera um cenário internacional de dívida elevada, pressões sobre os juros, guerras e tensões comerciais. Esses fatores podem encarecer energia, transporte e insumos e reduzir a disposição dos investidores para assumir riscos. Não há garantia de alta generalizada dos juros em 2027, mas o financiamento pode continuar caro por mais tempo. O FMI projeta desaceleração da economia brasileira no próximo ano.

Desafios para o agronegócio

Para os produtores, as consequências podem aparecer em crédito mais seletivo, juros altos e menor espaço no Orçamento para políticas como o seguro rural. O câmbio também traz efeitos distintos: um dólar mais alto pode elevar a receita das exportações, mas encarece fertilizantes, defensivos e equipamentos importados.

Daoud recomenda atenção ao caixa, às dívidas e aos compromissos da próxima safra. Na avaliação dele, o setor deverá cobrar do novo governo uma política econômica que permita produzir com previsibilidade. O acerto de contas, afirma, ocorrerá independentemente do vencedor da eleição, e o resultado dependerá da forma como as pendências serão enfrentadas.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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