Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Convites para a Alemanha terminam em denúncias contra suspeito alemão

Cinco brasileiros relatam trabalho sem pagamento, violência e ameaças após contatos em aplicativos de relacionamento.

Convites para a Alemanha terminam em denúncias contra suspeito alemão
Foto: DW/Deutsche Welle

Um alemão é acusado por cinco brasileiros de atraí-los para a Alemanha por aplicativos de relacionamento e submetê-los a trabalho sem salário, violência física, sexual e psicológica. Os relatos também incluem ameaças de morte, tentativas de homicídio e exposição de imagens íntimas.

As denúncias apontam que a prática ocorreria há pelo menos oito anos e envolveria o mesmo suspeito. A advogada brasileira Delaine Kühn, que atua na Alemanha, afirma acompanhar casos desde 2021. Segundo ela, mais de cinco pessoas já pediram ajuda.

Promessas e documentos para a viagem

Os brasileiros disseram ter conhecido o homem pelos aplicativos Romeo, Grindr ou Tinder. O suspeito colocaria a localização no Brasil, em cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza e Natal. Depois de conversas afetuosas, ele pediria fotos íntimas, imagens de familiares e amigos e informações pessoais.

A etapa seguinte seria o convite para a Alemanha. O homem emitiria passagens, contrataria seguros e enviaria cartas-convite nas quais assumiria a responsabilidade pela estadia dos convidados. Foram localizadas oito cartas enviadas a brasileiros entre 2018 e 2025.

Ao chegar ao país, as vítimas afirmam que eram obrigadas a trabalhar de graça na empresa do suspeito. Também relatam agressões, relações sexuais não consentidas e ameaças. Pelo menos três homens disseram que tiveram imagens íntimas compartilhadas em grupos de família e de trabalho. Alguns afirmam ainda que foram criadas contas falsas em seus nomes, com informações pessoais e associação à prostituição.

Fugas e ameaças

Fernando*, de 34 anos, contou que conheceu o alemão no Romeo durante uma viagem pelo Nordeste. Sem emprego e renda no contexto da pandemia, aceitou a proposta de viajar. No destino, afirma que dormia menos de quatro horas por noite e era acordado de madrugada, no frio, para trabalhar em um estabelecimento industrial.

Ele também relata ter sido obrigado a manter relações sexuais sem consentimento e ameaçado de morte. Em uma tentativa de fuga, diz ter corrido até a casa de vizinhos e pedido ajuda. Depois de voltar ao imóvel acompanhado pela polícia, recuperou o passaporte e seguiu para uma estação de trem. O suspeito teria exigido 1,5 mil euros para que ele retornasse.

Fernando deixou a Alemanha de trem, foi para outro país europeu e voltou ao Brasil com ajuda de amigos. Em mensagens, o alemão teria feito novas ameaças, incluindo a afirmação de que mantinha no jardim um cemitério de pessoas que teria matado.

Alceu*, de 35 anos, afirma que conheceu o suspeito no Tinder. Após receber a promessa de felicidade e trabalho, viajou para a Alemanha. Ele relata ter sido colocado no frio e na neve, mantido em uma casa sem comida e agredido. Também diz que foi obrigado a ter relações sexuais não consentidas.

Durante uma viagem para outro país, Alceu afirma que o homem tentou atropelá-lo depois de uma discussão. Ele conseguiu pedir ajuda a uma brasileira que vive na Alemanha, voltou ao Brasil e procurou a Polícia Federal. Também buscou orientação com Delaine Kühn.

Outros relatos e investigações

Alberto*, de 37 anos, diz que conheceu e morou com o suspeito há cerca de oito anos. Segundo ele, durante uma briga, o alemão usou um celular dado de presente para enviar suas imagens íntimas a amigos e familiares.

Flávio*, de 32 anos, afirma que encontrou documentos de brasileiros dentro da casa do suspeito enquanto arrumava o imóvel. Há registros relacionados a quatro homens da América Latina: um do Peru, dois da Colômbia e um da Venezuela. Uma fonte ligada a um aeroporto no norte da Alemanha também relatou ter atendido um panamenho com acusações semelhantes.

Alguns brasileiros registraram boletins de ocorrência na Polícia Federal e na Polícia Civil. Outros afirmam ter procurado delegacias no norte da Alemanha. Delaine Kühn relata ter acompanhado um processo de divórcio de um brasileiro que se casou com o alemão e um processo criminal com denúncias de lesão corporal e estupro.

A advogada afirma que houve condenação em primeira instância no caso de estupro, mas o suspeito recorreu no ano passado. O cliente acabou absolvido e teve de pagar as custas processuais. Kühn diz que muitas vítimas não têm recursos para contratar advogados ou não conseguem obter assistência estatal, o que impediria que várias denúncias chegassem aos tribunais alemães.

Documentos consulares trocados entre a Secretaria de Estado das Relações Exteriores do Itamaraty e a embaixada brasileira em Berlim indicam que, desde agosto de 2025, existe um pedido de cooperação jurídica em matéria penal entre Brasil e Alemanha relacionado ao suspeito. A Polícia Federal não confirmou nem comentou o caso. A polícia alemã informou que não forneceria dados sobre investigações por razões de privacidade.

Medidas nas plataformas

O relatório de dados sobre tráfico de pessoas do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime aponta que, no ano passado, as redes sociais foram a principal forma de aliciamento de brasileiros para tráfico humano com finalidade de exploração sexual.

O Romeo informou que perfis podem ser denunciados na plataforma e que contas confirmadas como criminosas são banidas permanentemente. O Tinder afirmou ter identificado e banido a conta do suspeito, além de estender a restrição a outros aplicativos do Match Group. A Grindr não respondeu.

O suspeito e sua advogada também foram procurados, mas não responderam. Os nomes dos entrevistados foram alterados para preservar suas identidades.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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