Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Brasil

Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões e amplia tensão nos mercados

A alta dos juros e o avanço dos gastos americanos aumentam as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida e os efeitos para a economia mundial.

Dívida dos EUA supera US$ 40 trilhões e amplia tensão nos mercados

A dívida nacional dos Estados Unidos ultrapassou 40 trilhões de dólares em agosto, enquanto o rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos chegou a 5,3%, o maior nível desde 2007. O movimento elevou a preocupação de investidores sobre a capacidade do país de financiar seus déficits e sobre os efeitos para outras economias industrializadas.

O fundo soberano da Noruega anunciou uma redução de quase 80 bilhões de dólares em sua exposição a títulos do Tesouro dos EUA. A participação, que era de cerca de 215 bilhões de dólares no final de junho, passou a ser observada como um sinal da cautela crescente no mercado financeiro.

Juros pesam sobre os governos

Os Estados Unidos gastam mais de um trilhão de dólares por ano com os juros da dívida nacional, ou mais de 3 bilhões de dólares por dia, segundo cálculos do Escritório de Orçamento do Congresso. Desde 2024, essa despesa supera todo o orçamento militar americano.

A dívida dos EUA aumentou mais de 600% nos últimos 30 anos, passando de 5,2 trilhões de dólares em 1996 para mais de 40 trilhões atualmente. A dívida total equivale a mais de 125% do Produto Interno Bruto (PIB), proporção semelhante à registrada por Itália e França. O déficit orçamentário deve chegar a quase 6% do PIB este ano.

O Japão enfrenta uma dívida superior a 200% do PIB. Na Alemanha, a taxa é de cerca de 65%, mas pode se aproximar de 80% nos próximos anos devido a empréstimos para modernizar as Forças Armadas e a infraestrutura. Em agosto, os juros dos títulos alemães com vencimento em dez anos superaram 3,3% em alguns momentos, o maior nível em cerca de 15 anos.

Para tentar reduzir os rendimentos dos títulos de longo prazo, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciou em 9 de setembro a ampliação da recompra desses papéis, de 2 bilhões de dólares para até 6 bilhões. A iniciativa seria financiada com a emissão de títulos de vencimento mais curto. No primeiro dia, porém, o rendimento dos títulos americanos de dez anos chegou temporariamente a 4,85%, o maior nível desde 2023.

“Este é um caminho muito difícil de trilhar”, afirmou Carsten Roemheld, estrategista da Fidelity International. Para ele, a trajetória da dívida será difícil de sustentar se continuar no ritmo atual.

Investidores ainda dependem dos EUA

Apesar dos riscos, analistas não veem uma fuga imediata dos ativos americanos. Carsten Brzeski, economista-chefe do ING Bank, afirmou que o mercado europeu ainda não substitui o americano e que China e outros mercados emergentes não têm capacidade nem disposição para assumir esse papel.

Roemheld disse que os Estados Unidos não estão insolventes, mas alertou que a emissão de dinheiro pode corroer a confiança e pressionar o câmbio do dólar. A continuidade da guerra dos EUA contra o Irã, com impacto sobre os gastos militares e os preços da energia, também aparece como fator de pressão sobre os juros.

A concorrência por recursos aumentou com os investimentos em inteligência artificial. Grandes empresas de tecnologia passaram a emitir títulos para financiar infraestrutura, enquanto os quatro principais “hiperescaladores” do setor já contraíram mais de 800 bilhões de dólares em dívidas este ano, com expectativa de alta nos próximos um ou dois anos.

Robert Sockin, economista-chefe para os EUA da PGIM, afirmou que títulos corporativos ligados à inteligência artificial estão substituindo cada vez mais os títulos do governo. Para investidores, papéis de empresas como Alphabet e Microsoft podem oferecer prêmios de 100 pontos-base sobre os títulos do Tesouro americano, ampliando a disputa por capital.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.