O empresário Andrea Matarazzo afirmou que as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro não apresentam um plano de longo prazo para o Brasil. Ex-ministro, ex-embaixador do Brasil na Itália e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ele classificou a disputa presidencial como marcada por ideologias e falta de planejamento.
“Nem Lula nem Flávio têm um plano sério para o Brasil: não há visão de futuro, apenas ideologias do passado”, disse Matarazzo. Sobre Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o empresário afirmou que ele não tem experiência de governo e possui um passado “muito nebuloso”.
Em relação a Lula, Matarazzo mencionou a idade e os mandatos anteriores. Segundo ele, o petista tem 80 anos e já foi presidente três vezes, mas não teria trabalhado na gestão das finanças públicas. O empresário também criticou a ausência de propostas apresentadas pelos dois candidatos.
Estabilidade e contas públicas
Matarazzo defendeu o envio de sinais claros ao mercado, com prioridade para a estabilidade, a segurança jurídica e o equilíbrio das finanças públicas. Na avaliação dele, essas medidas ajudariam a manter a inflação sob controle e as taxas de juros baixas.
Embora tenha dito que não há problemas atuais relacionados à inflação ou ao emprego, o empresário afirmou que o Brasil precisa melhorar sua imagem e sua credibilidade. Para ele, sem uma visão de longo prazo, o país corre o risco de se afastar do mundo desenvolvido e perder investimentos estrangeiros.
Matarazzo também disse que o Brasil deveria aproveitar oportunidades em um período de mudanças. A falta de planejamento, segundo ele, impede o país de exercer um papel significativo.
Relações com a Europa
O empresário considerou crucial a relação entre o Brasil e a Europa, incluindo o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Ele defendeu que qualquer vencedor da eleição mantenha esse caminho e preserve uma relação forte com o mercado europeu, tanto para a indústria quanto para a agricultura.
Matarazzo citou ainda a importância da importação de tecnologia europeia e de parcerias com pequenas e médias empresas italianas. Para ele, a aproximação com os Estados Unidos não é o problema, mas o Brasil não deve se subordinar ao país.
O ex-embaixador afirmou que as elites industriais brasileiras reconhecem a importância de manter relações sólidas com a União Europeia e, em particular, com a Itália. Ele também mencionou a visita do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, à Fiesp, instituição que, segundo Matarazzo, representa 60% da indústria do país.
Ao concluir, o empresário defendeu maior liberdade para empreender e a redução das taxas de juros, da dívida pública e da carga tributária.



