A experiência de Everaldo Barboza no campo começou na infância, quando acompanhava o pai nos fins de semana na fazenda. Naquele período, a propriedade produzia arroz e milho e mantinha criação de gado. A soja ainda tinha participação pequena, mas décadas depois se tornou o centro da trajetória profissional do produtor.
Formado em Agronomia em 1992 pela Universidade Estadual de Minas Gerais, no campus de Ituiutaba, Barboza iniciou a carreira na Nestlé. Ele permaneceu um ano e oito meses na área de assistência técnica. Durante o período em que viveu em Mineiros, Goiás, passou a acompanhar lavouras de soja com um colega e se aproximou da cultura. “Foi quando comecei a ter um interesse muito grande pela cultura”, relata.
Em outubro de 1994, entrou em uma empresa recém-criada no comércio de sementes, com sede em Cristalina, Goiás. A companhia atuava também com pesquisa de soja e mantinha uma estação no Paraná. Nesse trabalho, ele ganhou experiência em pesquisa, produção e venda de sementes.
Negócios com sementes e produção agrícola
Em 1996, Barboza abriu, com sócios, uma revenda de insumos agrícolas. Ao longo de 25 anos, o negócio chegou a oito lojas em Goiás. Em 1999, ele e os parceiros deram início ao projeto que originou a Sementes Goiás, empresa que se tornou uma das grandes produtoras brasileiras de sementes de soja.
A produção da oleaginosa começou em 1997, em parceria com Antonio Pimenta. “Começamos a plantar soja em 1997 e, desde então, não paramos mais”, afirma. Em 2020, os negócios de sementes e insumos foram vendidos para uma empresa canadense. Depois disso, a atuação de Barboza passou a se concentrar principalmente na produção agrícola.
Hoje, ele cultiva cerca de 12 mil hectares de soja em Rio Verde, Jataí, Caçu e Aparecida do Rio Doce, em Goiás. Também trabalha com pecuária, incluindo melhoramento genético de gado Nelore e criação de animais para comercialização.
Tecnologia e desafios
Ao longo de quase três décadas na atividade, o produtor acompanhou a adoção do plantio direto, hoje empregado em todas as áreas, e a expansão das biotecnologias nas lavouras de soja e milho. Ele afirma que a busca por manejo nutricional e fitossanitário faz parte da estratégia para elevar a produtividade.
Entre os desafios citados estão o aumento dos custos de produção, a segurança jurídica, a tributação, a disponibilidade de recursos humanos e a legislação trabalhista. Apesar dessas dificuldades, Barboza considera a produção de alimentos e energia uma atividade essencial e afirma que o setor pode gerar retorno econômico quando conduzido com planejamento e eficiência.



