A União Europeia pediu aos países-membros que reduzam o consumo de gás natural diante da alta dos preços de energia e das dificuldades para recompor as reservas antes do inverno no Hemisfério Norte. O apelo foi feito pelo comissário europeu de Energia, Dan Jorgensen, aos ministros da Energia do bloco.
Jorgensen afirmou que a Europa enfrenta uma crise de preços ligada a uma crise de abastecimento. Embora ainda não haja escassez de energia, o aumento dos custos dificulta o preenchimento dos estoques de gás, justamente antes do período em que a demanda por aquecimento residencial costuma atingir o pico.
Reservas abaixo do nível do ano anterior
Os estoques de gás da UE estão em 68%, 12 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com dados da Gas Infrastructure Europe, esse é o nível mais baixo desde o início dos registros, em 2011.
A dependência externa aumenta a exposição do bloco às oscilações do mercado. Cerca de 57% das necessidades energéticas da União Europeia são atendidas por importações. No caso do gás, aproximadamente 80% do consumo vem de fornecedores estrangeiros. O fechamento do Estreito de Ormuz, relacionado à guerra no Irã, pressionou os preços globais. A passagem é usada normalmente para transportar cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo.
Em carta aos ministros, Jorgensen recomendou que os governos mantenham ou adotem ações para garantir a injeção de gás nos estoques e reduzir o consumo de gás e eletricidade. Entre as possibilidades citadas estão limitar a temperatura em prédios públicos, proibir o aquecimento de áreas externas e desligar iluminação pública considerada desnecessária.
O comissário disse que a UE está mais preparada do que estava antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Desde então, o bloco ampliou a capacidade de importação de gás natural liquefeito, expandiu as fontes renováveis e reduziu a demanda por gás.
Impacto sobre famílias e fornecimento de diesel
Jorgensen estimou que 50 milhões de pessoas na UE podem ser obrigadas, durante o inverno, a escolher entre aquecer as próprias casas e comprar alimentos. Ele também associou o avanço de partidos populistas e de ultradireita ao fracasso dos governos em responder ao aumento do custo de vida.
Os países do bloco têm adotado subsídios, mudanças tributárias e outras medidas para conter os efeitos dos preços elevados de gasolina e diesel. A Lituânia reduziu em 50% os preços de trem; a Grécia elevou a taxação sobre apostas; e a Itália adiou o fechamento de usinas de carvão e simplificou o licenciamento de projetos de petróleo e gás natural.
Alemanha e Espanha reduziram parte dos impostos sobre a gasolina, enquanto a França anunciou subsídios para trabalhadores que percorrem grandes distâncias de carro. A UE reúne sete dos dez países que mais adotaram medidas para reduzir o impacto econômico da crise, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Ao reduzir a dependência da energia russa, o bloco passou a depender mais dos Estados Unidos. Um acordo fechado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente Donald Trump incluiu o compromisso de comprar 750 bilhões de dólares em energia americana ao longo de três anos.
A possibilidade de Washington proibir exportações de diesel para reduzir os preços no mercado americano preocupa a UE, que teria de buscar fornecedores alternativos. Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia, afirmou que a medida prejudicaria a cooperação energética entre os dois lados.



