Wilhelm Voigt deixou a prisão em 1906 decidido a reconstruir a própria vida. Sapateiro, ele tentou encontrar trabalho e manter um bom comportamento, mas acabou envolvido em uma fraude que o transformou no impostor mais célebre da Alemanha. Ao vestir um uniforme militar de segunda mão, conseguiu assumir o comando de soldados e roubou a prefeitura.
A história fez de Voigt um herói popular e o levou às graças do Kaiser Guilherme II. Depois da façanha, ele passou a ser visto por muitos como uma espécie de “Robin Hood”.
Um recomeço bloqueado
Voigt havia passado mais da metade da vida atrás das grades. Ao sair da cadeia, suas tentativas de levar uma vida honesta esbarraram no sistema prussiano de vigilância sobre ex-presidiários. A administração fechou repetidamente as portas para ele, apesar de sua intenção declarada de abandonar o passado.
O bloqueio às oportunidades de trabalho acabou impulsionando o golpe. A fraude contra o Estado não surgiu, portanto, de uma trajetória de ascensão dentro das instituições, mas da combinação entre a tentativa de recomeço e as barreiras impostas a quem já havia cumprido pena.
Uma infância marcada pela violência
Nascido em 1849, em Tilsit, então território prussiano, Voigt era filho de um sapateiro humilde que tinha vício em jogos. O pai agredia com frequência o menino e a mãe, especialmente depois de perder dinheiro em apostas.
Aos 14 anos, depois de uma dessas agressões, Voigt fugiu de casa a pé em direção à residência de parentes, localizada a mais de 100 quilômetros. A polícia o interceptou no caminho e o acusou de mendicância, prática proibida na época. Devolvido à família após o pagamento de uma multa, ele sofreu uma nova agressão do pai. Depois de outro episódio de violência, sua trajetória seguiria marcada por conflitos com a lei e pela passagem pela prisão.



