A A5X, bolsa brasileira voltada exclusivamente para derivativos e contratos futuros, captou R$ 730 milhões e foi avaliada em R$ 2,7 bilhões. A empresa pretende iniciar as operações no segundo trimestre de 2027, após avançar no processo de autorização junto ao Banco Central.
A nova rodada teve aportes de Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek, que investiram juntos R$ 360 milhões. A XP exerceu uma opção de compra concedida anteriormente. Os recursos devem financiar a operação até o breakeven, incluindo capital regulatório e investimentos para ampliar o funcionamento da bolsa.
A entrada desses investidores também reforça diferentes frentes do projeto. De acordo com avaliação do BTG Pactual, Morgan Stanley e Goldman Sachs podem contribuir para o acesso a investidores institucionais internacionais. A XP agrega capacidade de distribuição no varejo, enquanto a Kaszek traz conhecimento em tecnologia e inovação.
A A5X pretende criar concorrência para a B3 em um mercado de capitais que, atualmente, conta apenas com a bolsa. No mercado futuro, investidores negociam contratos relacionados a preços que serão praticados em uma data posterior.
A rodada incluiu ainda aportes adicionais de IMC, Jump Trading, Optiver e XTX Markets. Essas empresas atuam como market makers, garantindo a presença de compradores e vendedores para os ativos. Elas não levam clientes pessoas físicas à bolsa, mas operam seus sistemas automatizados na infraestrutura da A5X, contribuindo para a liquidez.
Também participa da base de investidores o ABN Amro Clearing, responsável por atividades ligadas à segurança financeira e à infraestrutura de liquidação. Para o relatório do BTG Pactual, assinado por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, a presença de formadores de mercado e de uma instituição global de clearing é importante para enfrentar desafios de liquidez, adesão de participantes e compensação.
Autorização e estrutura
A A5X está perto de concluir a primeira fase do processo regulatório, que inclui a preparação e o envio de documentos ao Banco Central. A etapa seguinte será formada por testes operacionais do regulador, com duração estimada de seis a oito semanas. Se o cronograma for mantido, a empresa espera receber a autorização e começar a operar no segundo trimestre de 2027.
A companhia tem cerca de 200 funcionários, entre eles aproximadamente 70 ex-profissionais da B3. Cícero Vieira, ex-COO da B3, atua como sócio e conselheiro estratégico.
Mesmo com a nova rodada, os quatro fundadores continuam no controle da empresa: Karel Luketic, CFO e cofundador; Carlos Ferreira Filho, CEO; Nilson Monteiro; e Julian Chediak. Luketic afirmou que o capital captado reduz de forma significativa o risco de falta de recursos durante a implementação inicial.



