A blefaroplastia estruturada propõe uma avaliação conjunta das estruturas ao redor dos olhos antes da definição do procedimento. A abordagem considera pálpebras, sobrancelhas, pele, bolsas de gordura, músculos e pontos de sustentação, em vez de concentrar a cirurgia apenas na retirada de tecidos.
A oftalmologista Bárbara Mendes, especializada em plástica ocular e com atuação em Brasília (DF) e Unaí (MG), explica que a técnica tradicional prioriza a remoção do excesso de pele e das bolsas de gordura. Já o modelo estruturado pode preservar, reposicionar ou remodelar estruturas, de acordo com as características de cada paciente. “A blefaroplastia estruturada enxerga a pálpebra como parte de um sistema dinâmico e interconectado”, afirma.
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular (SBCPO) descreve essa abordagem como uma evolução técnica que amplia o planejamento para além da retirada de pele. Na avaliação pré-operatória, são observadas a posição dos supercílios, a elasticidade da pele, o volume e a localização das bolsas de gordura, a tonicidade do músculo orbicular, a sustentação dos cantos laterais, o formato dos olhos, possíveis assimetrias e as proporções da face.
Sobrancelhas e equilíbrio do olhar
A posição das sobrancelhas também entra no planejamento porque pode influenciar a aparência da pálpebra superior. Segundo Bárbara Mendes, quando há queda ou alteração significativa nessa região, remover pele pode não resolver a sensação de peso ou cansaço e, em alguns casos, pode gerar um resultado artificial.
A conduta, portanto, varia conforme a anatomia identificada. Pessoas com queixas parecidas podem precisar de procedimentos diferentes. Dependendo do caso, o planejamento pode envolver a retirada de uma pequena quantidade de pele, a preservação ou o reposicionamento de gordura e o tratamento de estruturas próximas.
A especialista afirma que o objetivo não é modificar completamente a expressão, mas buscar proporção e leveza sem desconsiderar as características individuais. Estudos publicados na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica (RBCP) relacionam a cirurgia palpebral a relatos de melhora na autoestima de pacientes.
Função ocular
Além do resultado estético, a função dos olhos é considerada central. A pálpebra participa da proteção, da lubrificação e do movimento de piscar. Por isso, o planejamento avalia a função palpebral, a posição das pálpebras, a frouxidão e a sustentação da região.
“Como oftalmologistas e oculoplásticos, a função ocular é sempre a nossa prioridade número um”, diz Bárbara Mendes. A Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões também publicou pesquisa que associa o procedimento bem indicado a bons índices de satisfação clínica no pós-operatório, reforçando a importância da avaliação individualizada.



