Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Aumento de despesas e reajuste do Bolsa-Família alimentam dúvida sobre o resultado fiscal

Dados do Tesouro mostram alta da despesa federal acima da inflação, enquanto reajuste de 15% terá impacto de R$ 23 bilhões em 2027.

Aumento de despesas e reajuste do Bolsa-Família alimentam dúvida sobre o resultado fiscal
Foto: Wilton Junior/Estadão

O reajuste de 15% no Bolsa-Família anunciado pelo governo terá impacto estimado em cerca de R$ 6 bilhões em 2026 e R$ 23 bilhões em 2027. A medida foi divulgada duas semanas depois do envio ao Congresso do projeto de lei orçamentária para 2027, que não previa o aumento.

O anúncio ocorreu após o ministro da Fazenda, Durigan, afirmar que o mercado financeiro demonstraria “preconceito fiscal” contra o governo e não reconheceria o histórico das contas públicas. Na mesma entrevista, ele disse que mudanças nos programas sociais poderiam melhorar a eficiência dos processos e fortalecer, em 2027, o compromisso com o superávit.

Arrecadação e despesas

Dados da Secretaria do Tesouro mostram que a arrecadação federal cresceu R$ 362 bilhões, a preços de hoje, entre 2022 e os 12 meses até julho de 2026. Depois das transferências a Estados e municípios, o aumento foi de R$ 299 bilhões.

No mesmo período, porém, o resultado fiscal piorou em R$ 130 bilhões. A despesa federal avançou R$ 429 bilhões, alta 20% acima da inflação.

O reajuste do Bolsa-Família acrescenta pressão às projeções para 2027 porque eleva permanentemente os gastos em R$ 23 bilhões. A medida também foi anunciada perto da eleição, embora a discussão sobre sua legalidade não seja apresentada como o principal ponto do debate.

A condução da política fiscal voltou a ser comparada à chamada “PEC Kamikaze”, aprovada no final do governo Bolsonaro. Em 2022, durante o avanço da proposta e em meio à deterioração do cenário externo, o dólar subiu cerca de 10%, a Bolsa caiu 11,5% e os juros futuros avançaram.

A avaliação de que a reação do mercado ao governo Lula seria preconceituosa é contestada pelos dados de arrecadação, despesas e resultado fiscal apresentados pela Secretaria do Tesouro.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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