BRASÍLIA — A autorização chinesa para a compra de miúdos suínos brasileiros amplia o conjunto de produtos que frigoríficos habilitados poderão oferecer ao país asiático. O protocolo sanitário foi assinado neste sábado pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, e pelo ministro da Agricultura, André de Paula.
A formalização ocorreu depois da conclusão de uma auditoria chinesa no sistema produtivo nacional. Também foi estabelecido o Certificado Sanitário Internacional. Com essa etapa concluída, empresas já autorizadas a exportar para a China poderão pedir ao Ministério da Agricultura a extensão da lista de produtos enviados.
A permissão inclui miúdos internos, como rim, fígado e estômago, itens usados na culinária chinesa. Antes, o Brasil podia vender ao país apenas miúdos externos, entre eles patas e orelhas. Essa autorização anterior era limitada a produtos produzidos em Santa Catarina.
Negociações e exigências sanitárias
Brasil e China haviam alcançado entendimentos técnicos sobre os requisitos para a exportação de subprodutos suínos em maio. As negociações se intensificaram cerca de um ano atrás, depois de uma missão presidencial ao país asiático.
O Brasil também passou a atender uma exigência sanitária considerada necessária para a operação. Em junho de 2025, a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconheceu o país como livre de febre aftosa sem vacinação. A China reconheceu esse status neste ano. Em 2026, o governo brasileiro reforçou o pedido durante discussões sobre medidas compensatórias relacionadas à salvaguarda aplicada pelo país asiático à carne bovina.
Tamanho do mercado
A China importa cerca de US$ 2,6 bilhões por ano em miúdos suínos, o equivalente a aproximadamente 30% de toda a carne suína que compra do exterior. Em 2025, o Brasil enviou 21,5 mil toneladas de miúdos externos ao mercado chinês, em operações que somaram US$ 62,817 milhões.
As compras chinesas de miúdos chegam a cerca de 100 mil toneladas por mês, ou 1,2 milhão de toneladas por ano. Canadá, Estados Unidos e União Europeia estão entre os principais fornecedores, enquanto a China busca diversificar as origens da carne suína e dos miúdos.



