As canetas emagrecedoras deixaram de ser associadas apenas ao controle do diabetes tipo 2 e passaram a movimentar diferentes setores da economia brasileira. Os medicamentos regulam a glicose, aumentam a saciedade e provocam perda de peso, o que ampliou seu uso no tratamento da obesidade e do sobrepeso.
O mercado global de GLP-1 cresceu de US$ 13 bilhões em 2022 para US$ 48 bilhões em 2024. A projeção da Strategy& é de que o segmento alcance US$ 183 bilhões até 2030. No Brasil, o mercado passou de US$ 600 milhões em 2023 para US$ 1,7 bilhão em 2025. Nesse último ano, as importações desses produtos superaram os gastos do país com celulares.
Mudanças no consumo
Nos Estados Unidos, um levantamento com 150 mil domicílios identificou redução de 5,3% nas despesas com supermercados após seis meses de tratamento. O recuo chegou a 8% entre os gastos com fast food. Na pesquisa, 56% dos usuários afirmaram ter adotado escolhas alimentares mais saudáveis, enquanto 47% disseram comer menos.
Além disso, 29% reduziram despesas com alimentação e bebidas e direcionaram parte do orçamento para saúde, beleza e bem-estar. O mesmo comportamento também é observado no Brasil. A perda de peso tende a aumentar a procura por academias, roupas de novos tamanhos e procedimentos estéticos. Para as empresas de alimentos, o cenário amplia a necessidade de adaptar produtos e estratégias a consumidores interessados em opções mais nutritivas.
Preços, mercado ilegal e concorrência
No Brasil, o tratamento pode custar cerca de R$ 1.200 por mês, valor superior a 70% do salário mínimo. A demanda também impulsionou o mercado ilegal, incluindo a chamada Rota da Magreza, usada no contrabando de canetas emagrecedoras com logística semelhante à do narcotráfico.
Em abril, uma operação da Anvisa e da Polícia Federal identificou importação irregular e fabricação clandestina de insumos destinados a mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis.
Até março de 2026, a patente limitava a entrada de fabricantes no mercado brasileiro. Depois disso, a Anvisa recebeu 17 pedidos de registro de versões genéricas e biossimilares, além de aprovar novas apresentações. Em setembro, uma delas chegou às farmácias por R$ 464,80.
A Strategy& projeta que o mercado brasileiro de GLP-1 avance de US$ 2 bilhões em 2025 para US$ 9 bilhões em 2030. A queda dos preços e a maior concorrência podem acelerar a expansão do segmento.



