Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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CPMI do INSS questiona Domingos Sávio sobre empresas e repasses milionários

Empresário invocou o direito ao silêncio em perguntas sobre a DM&H, a Prospect, a ACDS e entidades associativas ligadas ao INSS.

Os negócios suspeitos de Domingos Sávio: meio bilhão no assalto aos aposentados

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS questionou o empresário Domingos Sávio de Castro sobre empresas, entidades associativas e transferências financeiras relacionadas a acordos de cooperação técnica com o instituto. O relator, Alfredo Gaspar, afirmou que o esquema investigado teria desviado mais de R$ 500 milhões de aposentados, pensionistas e órfãos.

A oitiva começou às 12h12 e terminou às 17h59 desta terça-feira (28). Castro, que foi condenado em primeira instância por organização criminosa em um processo de 2019 e recorreu à segunda instância, permaneceu em silêncio em diversas perguntas, seguindo a orientação da advogada Renata Mota de Carvalho. Parlamentares anunciaram a intenção de pedir sua prisão preventiva.

Empresas e vínculos questionados

O depoente confirmou que a Callvox, empresa de sua propriedade, foi criada em maio de 2022. Alfredo Gaspar destacou que a companhia surgiu um mês depois de a Unaspub celebrar um acordo de cooperação técnica com o INSS, em 27 de abril de 2022. Castro disse que a Callvox era exclusiva da Unaspub e operava o Serviço de Atendimento ao Cliente da entidade.

Ao explicar como chegou à Unaspub, mencionou um grupo de empresários de Belo Horizonte e citou Janete, administradora da entidade, além de Antônio Lúcio, que vendia produtos de benefícios em Brasília. Segundo Castro, o telefone 0800 da Unaspub direcionava as ligações para a Callvox e aparecia no contracheque dos servidores do INSS. Ele estimou entre 4% e 5% o índice de reclamações relacionadas ao atendimento.

Castro confirmou ainda que Antônio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS, é sócio da Prospect e, junto com a Callvox, da ACDS. Ele negou participação de Camilo na Callvox, mas afirmou que os dois foram criados na Cidade Satélite do Guará, em Brasília.

O empresário deixou de responder à maior parte dos questionamentos sobre a DM&H Assessoria Empresarial, seus sócios e a relação com a Prospect. Também não respondeu sobre os valores recebidos da DM&H, da ACDS e da Prospect, nem sobre o envio de recursos a Adelino Rodrigues Junior.

Entre os demais temas aos quais invocou o silêncio estavam sua relação com a Abrasprev, seu rendimento mensal antes de 2022, a participação do contador Samuel em outras empresas e as companhias que fundou ou das quais foi sócio nos últimos dez anos. Ele também não respondeu sobre a entidade posteriormente identificada como Abapen, os serviços prestados por ela e os recursos retirados após o acordo com o INSS.

Valores apresentados pelo relator

Alfredo Gaspar apresentou um gráfico com relações entre entidades e movimentações financeiras que, segundo ele, envolveriam Castro e Camilo. O relator afirmou que a CBPA teria retirado R$221 milhões e que Adelino, funcionário de Castro, atuava como procurador. Castro confirmou que Adelino recebia salário de R$5 mil por mês.

Gaspar também associou a Abrasprev a um desvio de R$67 milhões e afirmou que Castro era procurador da entidade. Sobre a Prospect, mencionou repasses de R$511 mil, R$1.621 milhão e R$895 mil para o empresário. Em relação à DM&H, citou R$7 milhões; na ACDS, R$1.6 milhão; e na Callvox, R$1.2 milhão.

Castro confirmou que a ACDS Call Center representava Antônio Carlos e Domingos Sávio. Disse ter 33% da empresa, enquanto a Prospect detinha 67%.

O empresário afirmou que não sabia quem havia indicado Adelino como procurador da CBPA nem se ele movimentava os R$221 milhões recebidos pela entidade. Também negou conhecer Thaisa Hoffmann, esposa do Procurador-Geral do INSS, embora o relator tenha afirmado que Adelino teria enviado R$59 mil a ela.

Pedido de prisão

A postura de Castro provocou reação de Alfredo Gaspar, que declarou a intenção de solicitar a prisão preventiva por garantia da ordem pública, aplicação da lei penal e conveniência da instrução criminal. O relator classificou as movimentações apresentadas como parte de um esquema que teria retirado mais de R$500 milhões de aposentados e pensionistas.

Castro também confirmou que sua empresa D&C Corretora de Seguros foi fundada em 12 de maio de 2016 e que Raquel Felix Teixeira trabalha na Callvox. Ele negou viagens internacionais com o Careca do INSS e reuniões com presidentes do INSS.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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