Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Economia

Crise do Banco Master expõe impacto econômico da fragilidade institucional

Insegurança jurídica, emendas parlamentares e mudanças no federalismo fiscal são apontadas como fatores que afetam investimentos e eficiência econômica.

Crise do Banco Master expõe impacto econômico da fragilidade institucional
Foto: Alejandro Zambrana/STF

A crise em torno do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) é apresentada como um sinal de tensões nas instituições brasileiras e também como um problema com efeitos econômicos. A avaliação relaciona o funcionamento dos Poderes, a gestão do Orçamento e a qualidade das regras institucionais aos incentivos para investir e à eficiência na aplicação dos recursos públicos.

A referência teórica é o economista Douglass North, vencedor do Nobel de Economia de 1993. Para North, as instituições funcionam como as regras do jogo de uma sociedade: moldam incentivos e ajudam a explicar por que alguns países prosperam enquanto outros permanecem presos a equilíbrios considerados ruins.

Nesse quadro, decisões institucionais imprevisíveis e limites menos claros entre Executivo, Legislativo e Judiciário tendem a ampliar a insegurança jurídica. O resultado apontado é a deterioração do ambiente de negócios e dos estímulos ao investimento.

Outro ponto citado é a influência das emendas parlamentares sobre o Orçamento. Com problemas de transparência e rastreabilidade, elas movimentam parcela expressiva dos recursos discricionários e restringem o investimento público. O Congresso, assim, ampliou seu poder na alocação desses recursos.

Federalismo fiscal e incentivos

A estrutura do federalismo fiscal também aparece como parte do problema. Bráulio Borges, do FGV Ibre, apontou que a expansão das despesas dos governos regionais depois da pandemia, sustentada pelo aumento das transferências da União, alterou estruturalmente o gasto público.

O Propag, programa de renegociação das dívidas estaduais, alongou prazos e reduziu juros, transferindo o custo para a União. A avaliação é que esse movimento se soma a um federalismo nem sempre alinhado às responsabilidades de arrecadar, gastar e responder pelas consequências das decisões.

Corrupção, clientelismo e apropriação particularista de recursos públicos são tratados como fenômenos que ultrapassam diferenças ideológicas. Nessa abordagem, eles distorcem incentivos, estimulam a disputa por privilégios e benefícios particulares e reduzem a eficiência na alocação dos recursos e o crescimento da economia.

A Constituição de 1988 marcou a reconstrução democrática brasileira. Quase quatro décadas depois, o arranjo institucional consolidado desde então é descrito como cada vez mais disfuncional. A proposta final é rediscutir as regras, incluindo o foro, as decisões monocráticas, as emendas, o pacto federativo e o sistema político.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.