BRASÍLIA — A defesa de Belline Santana, ex-chefe de supervisão bancária do Banco Central, pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da obrigação de usar tornozeleira eletrônica. O pedido foi apresentado nesta sexta-feira, 11, no processo que apura o caso Master.
O advogado Leonardo Palazzi argumenta que a medida deve ser revista diante de críticas feitas pelo próprio Mendonça à Polícia Federal. Na terça-feira, 8, o ministro havia determinado o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da corporação, citando “inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes”. No dia seguinte, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu a decisão e manteve Rodrigues no cargo.
Na petição, a defesa afirma que Mendonça reconheceu problemas na cúpula do órgão responsável pela condução da Operação Compliance Zero, investigação que produziu elementos usados para justificar as medidas cautelares contra Santana. O documento menciona o IPJ nº 144738439/2026.
Acusações contra Belline Santana
Santana é acusado de receber R$ 2 milhões em propina do banqueiro Daniel Vorcaro. A suspeita é de que ele tenha atuado como consultor informal do Banco Master dentro do Banco Central. Conforme a investigação aberta pela autoridade monetária, o servidor criou uma empresa voltada à educação financeira de crianças carentes para receber recursos do banco.
Relatório da Polícia Federal aponta que Santana manteve contatos frequentes com Vorcaro, revisou documentos e orientou o envio de materiais ao Banco Central. O inquérito também registra reuniões virtuais e presenciais entre os dois, além do repasse de informações sobre a fiscalização da instituição financeira.
A defesa sustenta ainda que uma representação com os mesmos argumentos foi apresentada a Mendonça há mais de seis meses, mas não teria sido analisada. “Jamais praticou qualquer desvio ou irregularidade no exercício de suas funções perante o BCB”, afirma o advogado no pedido.
Santana está afastado das funções desde janeiro deste ano. Ele também é acusado de receber vantagens durante uma viagem a Paris com a esposa, incluindo almoços e jantares.
Outro investigado é Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central. Segundo a investigação, ele teria recebido R$ 4,8 milhões em propina por meio da venda de um sítio no interior de Minas Gerais.



