Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Discursos de Mercadante e Alckmin abordam gastos em jantar com Lula

Encontro em São Paulo reuniu mais de 700 pessoas, mas convidados apontaram falta de propostas para o futuro e de profundidade no ajuste fiscal.

Discursos de Mercadante e Alckmin abordam gastos em jantar com Lula
Foto: Reprodução Youtube

O discurso de Aloísio Mercadante foi apontado por participantes como o que tratou com mais profundidade do ajuste fiscal durante o jantar com Lula, realizado na sexta-feira, 25. O presidente, ministros, empresários e banqueiros participaram do encontro, que reuniu mais de 700 pessoas em São Paulo.

Mercadante, do BNDES, relembrou períodos em que os governos Lula avançaram no controle das contas públicas, citando o fim da crise da dívida externa, os anos de superávits primários e a conquista do grau de investimento. Ele também defendeu discussões sobre a responsabilização de todos os entes públicos. “Todos querem se desendividar e o presidente, mais do que ninguém, também quer”, afirmou.

Sinais sobre as contas públicas

Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, avaliou que houve esforço da equipe de Lula para fazer acenos na área fiscal. Ele citou, além de Mercadante, as falas de Geraldo Alckmin e Dario Durigan.

Alckmin afirmou que os gastos não podem crescer acima do PIB. Durigan repetiu posições já apresentadas sobre o tema, enquanto Lula disse que sua mãe, dona Lindu, o ensinou que não se deve gastar mais do que se ganha. Para Garman, os discursos foram mais construtivos do que manifestações anteriores do presidente, mas a credibilidade do governo nessa área continua baixa.

O encontro começou efetivamente às 20h40, embora estivesse programado para as 19h. Antes da fala de Lula, organizadores da Esfera Brasil, do Prerrogativas e do Parlatório, empresários, ministros e presidentes de instituições públicas discursaram durante 1h40. Milton Maluhy, do Itaú, deixou o local antes de o presidente falar.

Expectativas dos convidados

Parte dos participantes esperava anúncios de cortes de despesas ou a indicação de Geraldo Alckmin, ou de outro nome com maior credibilidade junto ao mercado, para o Ministério da Fazenda. Essas medidas não foram anunciadas, e convidados interpretaram o tom do encontro como semelhante ao de uma campanha eleitoral.

Duas pessoas que estavam no jantar classificaram o evento como quase desrespeitoso. Na avaliação delas, os discursos se concentraram nas realizações do governo e não apresentaram críticas à política de gastos, associada por esses convidados à manutenção dos juros em patamar elevado e ao endividamento de empresas e famílias.

Basilio Jafet, vice-presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), disse que o encontro funcionou como uma prestação de contas ao empresariado. A entidade representa 93 mil empresas, entre incorporadoras, construtoras, administradoras de condomínios, loteadoras e imobiliárias. Para ele, o debate permitiu compreender o pensamento do governo, mas o ajuste fiscal não foi discutido com a profundidade necessária.

Impostos e falta de propostas para o futuro

A avaliação de convidados também levou em conta medidas adotadas pelo governo para ampliar a arrecadação. Entre elas estão a tributação da distribuição de lucros e dividendos, dos fundos exclusivos e das offshores, além do aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre instituições financeiras.

Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro e integrante do coletivo Prerrogativas, elogiou a fala de Mercadante. Ele participou do jantar acompanhado de 20 presidentes de seguradoras e resseguradoras.

Antes do evento, Lula recebeu alguns empresários de maior porte em uma sala de segurança. Segundo fontes presentes, a passagem foi rápida e serviu apenas para cumprimentar empresários próximos a ele.

Outros convidados disseram que os discursos se concentraram em realizações passadas e não apresentaram iniciativas inovadoras nem propostas para o futuro. Garman afirmou que ninguém saiu do jantar esperando uma reforma fiscal profunda caso Lula seja reeleito.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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