Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Hotéis terão de conciliar transição tributária, custos e demanda por mão de obra

Fábio Bentes, da CNC, apontou efeitos da reforma tributária e de uma possível mudança na jornada sobre custos e margens do setor.

Hotéis terão de conciliar transição tributária, custos e demanda por mão de obra

A hotelaria deverá acompanhar simultaneamente mudanças na tributação, possíveis alterações na jornada de trabalho e um cenário de juros elevados. Os temas foram analisados por Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), durante palestra sobre as perspectivas da economia brasileira no Fórum Nacional da Hotelaria (FNH), promovido pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB).

A transição para o novo sistema tributário será gradual. O modelo atual continuará em vigor até 2033, enquanto as novas regras serão implementadas. Para Bentes, a convivência entre os dois formatos aumentará a complexidade para as empresas. “Será uma mudança lenta, então os dois sistemas irão coexistir durante um período, deixando tudo mais complexo”, disse.

Tributação e formação de preços

Na avaliação do economista, quatro aspectos deverão influenciar os efeitos da Reforma Tributária sobre os hotéis: a alíquota reduzida, os créditos nas entradas, a possibilidade de repasse aos preços e o dinheiro disponível no caixa. A combinação desses fatores pode afetar a estrutura financeira dos empreendimentos, especialmente na absorção de custos, na definição de preços e na preservação das margens.

Bentes também destacou que a geração de receitas da hotelaria vem evoluindo acima do desempenho geral da economia. A expectativa apresentada no evento é de continuidade desse crescimento, impulsionado principalmente pelo aumento do fluxo de estrangeiros que visitam o Brasil.

Esse comportamento da demanda precisa ser analisado junto dos custos e das despesas da operação. Ocupação, receitas e capacidade de repasse aos consumidores fazem parte da avaliação financeira dos hotéis, sobretudo em um período no qual diferentes regras tributárias podem coexistir.

Jornada de trabalho e operação

Uma eventual redução da jornada de trabalho, segundo Bentes, exigiria cautela. A preocupação está na possibilidade de os custos aumentarem sem um crescimento proporcional da produtividade. “Não se aumenta produtividade na marra. Serão pessoas ganhando o mesmo e trabalhando menos”, afirmou.

Os dados apresentados no FNH indicam que a hotelaria tem pouca flexibilidade para reduzir horas sem afetar atividades essenciais, como atendimento, limpeza, recepção, segurança e alimentação. Como os serviços são prestados de forma contínua, mudanças na jornada podem repercutir na organização das equipes e na estrutura operacional dos hotéis.

O economista também citou a dificuldade histórica do setor para captar mão de obra qualificada. Na avaliação apresentada, se o custo operacional e a carga efetiva de trabalho aumentarem ao mesmo tempo, as margens poderão ser pressionadas antes que os preços consigam absorver integralmente essa elevação.

Juros e endividamento

Entre os fatores associados à desaceleração da atividade hoteleira, Bentes mencionou a alta taxa de juros e o crescimento do endividamento. Segundo os dados apresentados por ele, o índice já alcança 82% das famílias brasileiras.

Nesse cenário, a hotelaria deverá avaliar a transição tributária, os possíveis efeitos de mudanças na jornada e o comportamento da demanda em conjunto. Esses elementos podem interferir nos custos, nas receitas, nos preços e nas margens dos empreendimentos de hospedagem.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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