Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Bem-estar ganha peso na receita e na permanência dos hóspedes

Hotéis ampliam serviços de wellness e passam a medir efeitos sobre consumo, tarifa, duração da estada e retorno do cliente.

Bem-estar ganha peso na receita e na permanência dos hóspedes

A hotelaria passou a tratar o wellness como parte da estratégia comercial, mas o retorno desse investimento não aparece em um único indicador. A oferta de bem-estar pode influenciar a tarifa, o consumo de serviços, o tempo de permanência e a decisão de voltar, desde que esteja integrada à experiência do hóspede.

Preço, localização, reputação e marca continuam entre os elementos mais diretamente ligados à reserva. A diferença é que spas, alimentação funcional, programas de sono, atividades ao ar livre e propostas de longevidade passaram a atuar também depois da chegada ao empreendimento.

O valor está na integração

Para Camilla Barretto, CEO da BLTA (Brazilian Luxury Travel Association), o segmento de alto padrão associa cada vez mais o luxo a atributos como tempo, espaço, silêncio, natureza, privacidade e atenção. Nesse cenário, o wellness deixa de ser um item isolado e passa a fazer parte da própria experiência.

A inclusão de uma estrutura dedicada, porém, não garante por si só uma percepção maior de valor. “Se simplesmente acrescenta um spa, academia, algumas aulas de yoga ou comida vegana, dificilmente isso fará com que haja uma percepção e aceitação de incremento na tarifa”, afirma Camilla.

A proposta precisa aparecer de forma coerente no quarto, na alimentação, na programação, no contato com a natureza e nas relações humanas. Quando esses elementos se conectam, serviços personalizados podem estimular gastos adicionais e contribuir para uma estada mais longa.

A mudança também altera o papel do spa. Em vez de concentrar nele toda a oferta de bem-estar, os empreendimentos passam a distribuir essa experiência entre atendimento, descanso, alimentação e movimento. Temas como longevidade, saúde preventiva, recuperação física e saúde mental ajudam a transformar o wellness em uma possível motivação da viagem.

Diferentes perfis, diferentes consumos

No Rosewood São Paulo, o Asaya Spa by Guerlain atende hóspedes e público externo. A operação identifica sinais de interesse antes da chegada, como perguntas sobre academia e áreas de bem-estar, para antecipar preferências e sugerir tratamentos.

Ana Flores, gerente de Wellness e Spa do empreendimento, afirma que o turista que viaja em busca de wellness costuma organizar a estadia em torno de desconexão e rituais regenerativos. Entre clientes corporativos de alto padrão, o spa pode ser procurado para reduzir o estresse e aproveitar melhor o tempo disponível.

A forma de apresentar os serviços também muda conforme a intenção do visitante. Quem já chega interessado tende a trazer atividades definidas. Para os demais, concierge e especialistas do spa ajudam a apresentar as possibilidades durante a hospedagem.

A unidade acompanha receita, ticket médio e taxa de utilização, mas também considera NPS (Net Promoter Score), avaliações dos clientes e recompra. Academia e saunas estão incluídas na tarifa; os tratamentos são cobrados separadamente como receita complementar. O desempenho do spa pode ainda influenciar decisões sobre tarifas, pacotes e distribuição.

Saúde como motivo da viagem

No Rituaali, hotel spa localizado em Penedo (RJ), a hospedagem é organizada em torno de objetivos de cuidado pessoal. A sócia-diretora Lorena Trindade relaciona essa procura ao interesse crescente por longevidade e à percepção de que a viagem pode ser uma oportunidade para melhorar sono, disposição e clareza mental.

O empreendimento oferece quatro programas baseados na Medicina do Estilo de Vida: Controle de Peso e Saúde Metabólica, Gestão de Estresse e Ansiedade, Mobilidade e Recuperação Funcional e Bem-Estar. Também há acompanhamentos voltados a sono profundo, mapeamento de saúde, movimento e controle do tabagismo.

A empresa ampliou as possibilidades de acesso com o AIKA, voltado ao rejuvenescimento natural e à estética integrada, e com a modalidade SPA Day. Para Lorena, a diversificação permite atender clientes com disponibilidades de tempo diferentes, além das imersões.

Nesse modelo, os resultados são observados em taxas de retorno, recomendação e aumento do tempo de permanência. O vínculo com o hóspede, portanto, pode continuar depois do consumo feito durante a estada.

A experiência ligada ao destino

No Preabeach Experience, que mantém dois empreendimentos no Ceará, o wellness se relaciona ao ritmo do sol e do mar, ao descanso e à convivência com a comunidade local. A percepção nem sempre aparece de forma explícita no momento da compra e pode ser identificada com mais clareza no contato feito após a reserva.

Cécile Delannoy, sócia-fundadora do grupo, afirma: “A gente pode não perceber, na hora da reserva, que ele identificou o wellness como um benefício.” Segundo ela, o spa aparece entre os atrativos mencionados pelos clientes, ao lado da gastronomia e da localização.

A empresa acompanha a experiência por meio de pesquisas de satisfação. Nesse caso, o wellness não se limita aos tratamentos: envolve a maneira como o hóspede ocupa o tempo, descansa e se relaciona com o destino. O spa, compartilhado pelos dois hotéis do grupo, complementa essa proposta.

Os diferentes modelos mostram que a hotelaria precisa definir qual função o bem-estar exerce em cada operação. O retorno pode surgir na diária, no consumo, na permanência ou na recorrência, mas a avaliação depende da coerência entre a promessa feita ao cliente e a experiência entregue.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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