Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Corrida por infraestrutura de IA abre novas vagas nos Estados Unidos

Investimentos em data centers e energia impulsionam contratações, enquanto funções administrativas perdem espaço para a automação.

Corrida por infraestrutura de IA abre novas vagas nos Estados Unidos

A expansão da infraestrutura necessária para a inteligência artificial abriu uma frente de contratação nos Estados Unidos, com demanda por profissionais de construção, energia, redes e manutenção. O movimento ocorre ao mesmo tempo em que algumas funções administrativas e de atendimento perdem postos para ferramentas automatizadas.

Os investimentos em chips, servidores, data centers, sistemas de refrigeração e energia estão cerca de US$ 500 bilhões por ano acima do nível de 2022, quando o mundo conheceu o ChatGPT, segundo cálculos do Goldman Sachs. Apenas a construção de data centers alcança uma taxa anual superior a US$ 75 bilhões, quase 60% acima do ano passado, conforme dados do Departamento do Censo dos Estados Unidos.

Infraestrutura puxa salários e contratações

A construção dessas instalações exige eletricistas, especialistas em climatização, engenheiros de redes elétricas e técnicos responsáveis pela instalação e manutenção dos equipamentos. Em cinco setores ligados a data centers, o emprego cresceu cerca de 320 mil vagas além do que seria esperado pelas tendências gerais da construção civil e da indústria manufatureira desde 2023.

As vagas em data centers mais que dobraram em dois anos, mesmo com a redução geral dos anúncios de emprego. O LinkedIn estima que quase meio milhão de postos nesses centros tenham sido criados entre 2023 e 2025 nos Estados Unidos. Técnicos e engenheiros estão entre as contratações mais frequentes.

A disputa por trabalhadores também elevou a remuneração. Segundo o Indeed, funções de instalação e manutenção em data centers pagam cerca de 40% mais que atividades semelhantes em outros setores. Entre janeiro e junho, o salário médio por hora subiu mais de 13% na fabricação de equipamentos elétricos e quase 8% entre empreiteiros elétricos.

Novas funções ligadas à tecnologia

O avanço da IA também criou ocupações de escritório. Engenheiros desenvolvem modelos, anotadores de dados classificam informações e avaliam respostas, e engenheiros de implementação adaptam sistemas para clientes. Também surgiram os chamados chefes de IA, responsáveis por orientar o uso da tecnologia nas empresas.

As vagas para chefes de IA, engenheiros de IA e diretores de IA praticamente dobraram desde 2023-2024, de acordo com o LinkedIn. Uma análise do Burning Glass Institute estima que cerca de 1% dos empregos profissionais já sejam funções de IA, o equivalente a cerca de 1 milhão de posições nos Estados Unidos. Em computação e ciências da vida, essa proporção fica entre 4% e 5%.

O LinkedIn identificou aproximadamente 640 mil novos empregos específicos de IA entre 2023 e 2025. Para Kory Kantenga, chefe de economia para as Américas da empresa, as evidências disponíveis indicam que a tecnologia tem criado mais empregos do que eliminado.

Impacto desigual entre profissões

A IA não impede que empresas reduzam equipes. Microsoft e Meta estão reorganizando negócios em torno da tecnologia, enquanto Block e Intuit substituem pessoas por bots. Empresas americanas anunciaram, em média, cerca de 16 mil cortes relacionados à IA por mês neste ano, segundo a Challenger, Gray & Christmas.

Ainda assim, essas demissões representam uma parcela pequena de um mercado em que os empregadores dispensam cerca de 1,7 milhão de trabalhadores em um mês típico. A estimativa é de que a IA tenha criado cerca de 1 milhão de empregos nos Estados Unidos, diante de aproximadamente 200 mil demissões atribuídas à tecnologia desde meados de 2023.

O efeito também aparece em profissões que utilizam a IA para elevar a produtividade. Entre 2023 e 2025, o emprego de assistentes jurídicos cresceu cerca de 11%, enquanto o de analistas de pesquisa de mercado avançou 6%. A média nacional foi de cerca de 2%.

Por outro lado, desde janeiro de 2023, o emprego caiu cerca de 10% entre trabalhadores de atendimento ao cliente e aproximadamente 15% entre secretários e assistentes administrativos. O Departamento de Estatísticas do Trabalho prevê a perda de 752 mil empregos em ocupações de escritório e apoio administrativo até 2035.

No conjunto, a economia americana criou 162 mil empregos em agosto, e a taxa de desemprego ficou em 4,1%. Entre trabalhadores de 20 a 24 anos, grupo frequentemente apontado como mais exposto à automação, a diferença em relação à taxa geral está próxima da menor registrada em várias décadas. O Departamento de Estatísticas do Trabalho também prevê que o setor de serviços públicos seja o segmento de grande porte com crescimento mais rápido entre agora e 2035.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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