O liquidante do Banco Master solicitou a bancos dos Estados Unidos informações detalhadas sobre transações realizadas pelo grupo no país. O pedido inclui dados sobre contas bancárias, transferências internacionais, imóveis e obras de arte relacionados à massa falida e a 17 pessoas e empresas ligadas à instituição, que tiveram bens congelados no Brasil.
As intimações judiciais foram direcionadas ao Bradesco Bank, ao Safra National Bank of New York, ao The Northern Trust International Banking Corporation e ao Royal Business Bank. As instituições deverão fornecer o histórico de transferências internacionais iniciadas, originadas, creditadas ou recebidas pelo grupo ligado ao Master, quando tiverem atuado como bancos intermediários ou correspondentes.
Também foram solicitadas mensagens de pagamentos, registros de contas, extratos completos, transferências eletrônicas, cheques superiores a US$ 500, transações com valores mobiliários, propostas de crédito, e-mails e outras comunicações mantidas com os bancos. O pedido inclui ainda informações sobre cofres de segurança e relatórios enviados a autoridades governamentais. No caso da Northern Trust, a solicitação trata especificamente de dados relacionados ao Fundo Jaguar.
O Bradesco afirmou que “assim que receber a notificação, analisará e atenderá às informações solicitadas”. O Safra não havia respondido até a publicação do conteúdo.
Entre as empresas intimadas estão a Global Title Service, responsável por serviços de escritura e títulos, e as imobiliárias Cosmic Realty Partners e Vintage Point Corp. A gestora de investimentos internacionais Vibe Overseas também foi incluída. A Global Title Service deverá fornecer registros de compra e venda de propriedades em Miami.
O empresário Michael Toth recebeu uma intimação separada para prestar depoimento e apresentar registros comerciais sobre a procedência e os seguros de obras de arte discutidas, negociadas ou mantidas por ele para o grupo envolvido.
Acordos no processo de falência
O liquidante e a Gulfstream apresentaram uma moção conjunta ao juiz Scott Grossman, responsável pelo processo no Tribunal de Falências para o Distrito Sul da Flórida, para manter em sigilo informações solicitadas à fabricante de aviões. A empresa classificou os materiais como altamente confidenciais, sob o argumento de que poderiam expor estratégias comerciais.
O tribunal aprovou o acordo e determinou que os documentos sejam usados exclusivamente nos procedimentos legais da falência. Em outra decisão, o liquidante e os advogados dos réus concordaram em pausar temporariamente a coleta de provas e prorrogar os prazos de defesa até novembro, para viabilizar a negociação da venda de um dos imóveis. O acordo foi homologado pelo juiz.



