Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Plataformas digitais podem reduzir desemprego estrutural, mas ampliam precarização

Estudo do Banco Central aponta queda da taxa natural de desemprego, enquanto dados do IBGE mostram baixa cobertura previdenciária entre trabalhadores de aplicativos.

Plataformas digitais podem reduzir desemprego estrutural, mas ampliam precarização

A taxa de desemprego no Brasil recuou de 13,9% em janeiro-março de 2017 e 14,9% em janeiro-março de 2021 para 5,3% em maio-julho de 2026. O resultado mais recente fica próximo do menor nível registrado, de 5,1% em outubro-dezembro de 2025.

A queda reacendeu o debate sobre a taxa natural — ou neutra — de desemprego, faixa que não exerce pressão sobre a inflação. Antes da redução recente, estimativas apontavam um nível entre 9,5%-10%. Hoje, o consenso está em torno de 7-7,5%, patamar compatível com as pressões inflacionárias observadas.

Um estudo do Banco Central, intitulado “Inflação de serviços à luz da curva de Phillips: uma atualização”, indica que a queda da taxa natural começou em 2010 e ganhou velocidade a partir de meados da década passada. Na leitura mais recente, a estimativa central ficou em 7,2%.

A reforma trabalhista sancionada pelo ex-presidente Michel Temer em julho de 2017 é apontada como um dos possíveis fatores. Ao flexibilizar as condições de contratação e regularizar jornadas reduzidas, a mudança pode ter permitido um desemprego menor sem aumento correspondente da inflação. O início anterior da queda, porém, sugere a participação de outros elementos.

Economistas do FGV-IBRE destacam que a força de trabalho ficou mais velha e mais educada, características associadas ao aumento da empregabilidade. Outro fator é a expansão dos trabalhadores por aplicativo, principalmente em serviços de transporte e entrega.

Aplicativos como porta de entrada

Dados do IBGE sobre o trabalho em plataformas digitais mostram que dois milhões de brasileiros estavam ocupados dessa forma em 2025, no trabalho principal ou secundário. Quase 25%, ou ¼, disseram ter escolhido essa atividade por não conseguir encontrar outro trabalho.

Esse resultado sustenta a hipótese de que as plataformas funcionam como empregadoras de última instância e podem reduzir de maneira mais estrutural a taxa de desemprego. Nos Estados Unidos, um estudo que analisou a entrada do Uber em cidades diferentes entre 2013 a 2018 identificou queda do desemprego quando o serviço começou a operar.

O efeito, contudo, vem acompanhado de menor proteção. Quase 60% dos motoristas de automóvel que trabalham por plataformas não têm cobertura da Previdência, contra 25,5% dos que não são plataformizados. Entre motoristas de motocicleta que usam plataformas digitais, a proporção chega a cerca de 80%.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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